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Internacional

Irão avisa Estados Unidos: rasgar o acordo nuclear terá “consequências desagradáveis”

22.04.2018 às 17h35

Mohammad Javad Zarif, ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano

Spencer Platt/Getty Images

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano avisa Donald Trump que se os Estados Unidos decidirem rasgar o histórico acordo nuclear alcançado em 2015 vão sofrer consequências. Teerão não descarta retomar o programa de enriquecimento de urânio. O presidente francês veio entretanto apelar a Trump para manter o acordo, porque considera não existir "plano B"

É um acordo complexo no que toca à diplomacia internacional, mas se tivesse de ser resumido numa única frase poderia sê-lo assim: o Irão congela o seu programa nuclear, ao passo que os países ocidentais levantam as sanções económicas ao regime iraniano. Assim tem sido desde 2015, altura em que o mundo estava ainda longe de imaginar Donald Trump como presidente. Mas desde que Trump chegou à Casa Branca deu a entender que o acordo não lhe agrada (quanto à alegação de que este foi um acordo histórico, o atual presidente norte-americano responde dizendo que foi um dos piores da História). Trump tem de revalidar periodicamente o levantamento das sanções ao Irão, e da última vez que pôs a assinatura no papel (em janeiro passado), avisou que aquela poderia vir a ser a derradeira.

A última jogada neste xadrez diplomático foi feita agora por Mohammad Javad Zarif, ministro dos negócios estrangeiros iraniano, e ainda para mais no tabuleiro do adversário. Zarif está em Nova Iorque para participar numa sessão plenária das Nações Unidas e encontrar-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres. À margem desse programa oficial, o responsável da diplomacia externa iraniana aproveitou um encontro com os jornalistas para mandar um forte recado a Donald Trump.

O presidente norte-americano quer que o levantamento de sanções seja “revisto”, que é como quem diz, quer endurecer as restrições aplicadas ao Irão. Teerão não aceita uma revisão do acordo, e diz que os princípios negociados em 2015 - num acordo que envolveu ainda a China, Alemanha, França, Reino Unido e Rússia - devem manter-se. A próxima assinatura de Trump para prolongar o acordo deverá acontecer a 12 de maio, e o tempo começa a escassear. O ministro dos negócios estrangeiros iraniano avisa que, se os Estados Unidos retirarem, é o fim do acordo. Continuar apenas com os outros parceiros é um cenário “altamente improvável”.

Em declarações citadas pelo jornal britânico The Guardian, Mohammad Javad Zarid avisa que as consequências para os Estados Unidos serão “desagradáveis”. O diplomata admite um cenário de regresso ao enriquecimento de urânio, e garante que o parlamento iraniano pode debater outras medidas ainda mais “drásticas”, sem especificar quais.

“Os Estados Unidos estão a mandar uma mensagem muito perigosa às pessoas do Irão e do mundo", afirma Zarif. No fundo estão a dizer que nunca se consegue chegar a um acordo com os Estados Unidos, e cria uma impressão a nível global de que os acordos não valem nada”.

Já o presidente francês, François Macron, veio este domingo apelar a Donald Trump para manter o acordo. Numa entrevista à cadeia de televisão Fox News, na véspera de iniciar uma visita oficial a Washington, Macron admite que se trata de um acordo "imperfeito", mas considera que não há melhor opção.