Projetos Expresso

Bolha imobiliária? “Não vaticino essa catástrofe”

22 fevereiro 2022 18:18

Paulo Caiado, Hugo Santos Ferreira, Manuel Alvarez e João Pedro Oliveira e Costa (da esquerda para a direita) estiveram a debater o estado do mercado de compra e venda de casa

O presidente executivo do BPI, João Oliveira e Costa, garante que a banca está muito mais regulada e mais focada em conceder empréstimos que as pessoas possam realmente pagar

22 fevereiro 2022 18:18

A construção nova que se faz atualmente, os preços das casas, as alterações à concessão de crédito à habitação, e a possibilidade – entretanto negada – de uma bolha imobiliária, foram alguns dos temas discutidos esta terça-feira à tarde no debate promovido pelo Expresso e a SIC Notícias, em parceria com a Remax. No encontro estiveram João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI; Manuel Alvarez, presidente da Remax Portugal; Hugo Santos Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) e Paulo Caiado, presidente da  Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). Estas foram as principais conclusões

Bancos estão tranquilos  

  • Os preços das casas estão altos e, a partir de abril, haverá novas regras na concessão de crédito à habitação que podem tornar mais difícil a compra de casa, mas a possibilidade de haver uma bolha imobiliária parece estar fora de questão. “Não vaticino essa catástrofe”, considera o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, que explica que, neste momento, a banca não só é mais regulada como tem regras próprias mais apertadas. “Quando emprestamos dinheiro estamos preocupados com o rendimento das pessoas e se elas conseguem pagar um empréstimo mesmo que ele aumente”, diz.
  • As novas regras, que entram em vigor em abril, vêm trazer ainda mais escrutínio, mas para João Pedro Oliveira e Costa fazem todo o sentido porque “ninguém quer estar a pagar o crédito da casa aos 75 anos”. O que pode acontecer, diz Manuel Alvarez, é que o “número de transações anuais possa descer”.
  • Além disso, garante João Pedro Oliveira e Costa, a banca não está “inundada” de casas para vender, muito pelo contrário. De acordo com CEO do BPI, o valor dos imóveis recuperados por falta de pagamento é de apenas €4 milhões.

191 mil

Foi o número de casas vendidas em Portugal em 2021

Mais casas novas, mas a preços altos

  • De acordo com Hugo Santos Ferreira, num recente inquérito realizado junto dos promotores imobiliários a atuar em Portugal, 80% constatou que os projetos que têm são para construção nova e não para reabilitação. Além disso, 92% respondeu que são casas para os portugueses, mas os preços é que não vão ser adequados para os portugueses comprar, como aliás, tem sido até agora. Porque, acrescenta o presidente da APPII, os impostos, os preços dos terrenos, o custo da construção, a falta de mão de obra e os licenciamentos demorados vão continuar a pesar nos preços finais.
  • Ainda assim, repara Paulo Caiado, as casas não estão caras no país inteiro, havendo imóveis a valores aceitáveis para a classe média fora dos grandes centros urbanos.