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As “Parcerias Público-Privadas têm uma estrutura muito rígida”: é preciso mudar o modelo

16 fevereiro 2022 21:47

A Accenture Portugal e o Expresso voltaram a juntar-se esta quarta-feira à noite, desta vez num debate na SIC Notícias, com os responsáveis dos principais hospitais privados do país. Os desafios da saúde no pós-pandemia estiveram em análise

16 fevereiro 2022 21:47

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde; Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde; Rui Diniz, CEO da CUF; e ainda Luís Goes Pinheiro, presidente do conselho de administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) estiveram, esta noite, na SIC Notícias, a debater o futuro da saúde agora que a pandemia começa a abrandar e a tornar-se numa endemia. O encontro contou ainda com a presença de Sofia Marta, vice-presidente responsável pela área de Saúde da Accenture Portugal, e estas foram as principais conclusões.

Recorrer à tecnologia para melhorar os cuidados

  • A pandemia fez com que os doentes e os profissionais de saúde se familiarizassem mais com as soluções digitais, e que as aceitassem melhor nas suas vidas e na sua prática profissional. Isto faz com que, daqui para a frente, seja mais fácil recorrer ainda mais à tecnologia como forma de melhorar os cuidados de saúde e de os tornar mais personalizados.

“Nós apresentámos-nos a concurso, mas as condições são insustentáveis”

Vasco Antunes Pereira, CEO da Lusíadas Saúde (sobre o concurso para a PPP do hospital de Cascais)
  • Isabel Vaz explica que será a tecnologia a permitir que “os profissionais de saúde estejam mais concentrados nos doentes”, porque será a tecnologia a fazer aquelas tarefas mais rotineiras e de menor valor acrescentado. Aliás, segundo conta Luís Goes Pinheiro, se não se tivesse automatizado a linha telefónica SNS 24, teria sido impossível atender o volume “avassalador” de mais de três milhões de chamadas recebidas só este ano.  
  • Rui Diniz concorda, e salienta que tecnologia terá impacto no aumento do acesso das pessoas a cuidados de saúde, por via do digital. Mas Vasco Antunes Pereira, apesar de concordar, salienta que, na atual fase de transição, é preciso manter alguns serviços em formato físico e digital.

€300 milhões

  • é o valor que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) tem para a transição digital na saúde

Privados disponíveis para apoiar SNS

  • Os três grupos de saúde privados presentes no debate não se recusam a estabelecer novas Parcerias Público-Privadas (PPP) com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas alertam que os contratos que existiram até agora têm de ser diferentes.
  • Isabel Vaz diz que têm de ser contratos “com estratégia e com previsibilidade”; Rui Diniz refere que têm de ter em conta os aumentos de custos que advém das inovações tecnológicas. Aliás, salienta mesmo que “os contratos de PPP têm uma estrutura muito rígida” e que “o modelo [que existiu] não é possível continuar”. Já Vasco Antunes Pereira repara no facto de os contratos exigirem poupanças que se vão traduzir em “piores cuidados de saúde”.