Projeto 20+20

Manuela Pintado vê o potencial dos alimentos na prevenção de doenças

5 janeiro 2015 11:39

OTIMISMO: Manuela Pintado olha com expectativa para as oportunidades do Horizonte 20/20 da União Europeia

d.r.

Investigadora estuda a composição e propriedades biológicas de compostos bioativos para perceber até que ponto podem ser aplicados na área alimentar.

5 janeiro 2015 11:39

Professora e investigadora no Centro de Biotecnologia de Química Fina, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, Maria Manuela Pintado acredita que o seu trabalho pode criar alimentos mais seguros e contribuir para a sustentabilidade ambiental. Tudo com recurso aos ingredientes bioativos.

"A minha investigação integra-se na área de Biotecnologia Agroalimentar", diz ao Expresso Diário. "Coordeno a plataforma de Bioativos que reúne capacidade instrumental e de conhecimento para caracterizar a composição e propriedades biológicas desses compostos, extratos ou alimentos. Queremos explorar o seu potencial de aplicação na área alimentar e nutrição, ou outras áreas onde os compostos possam imprimir alguma funcionalidade como seja a biomédica, ou a alimentação animal, por exemplo."

A investigadora acrescenta que muitos destes ingredientes "requerem validação em modelos animais e humanos, estando já criada a rede de parcerias nacionais e internacionais" que vai permitir passar para essa fase do estudo. Outro dos focos da investigação centra-se na procura contínua de uma ligação à indústria. O objetivo é que o conhecimento gerado nesta área possa ter impacto real na competitividade económica do país.

Otimismo

Desde o início da sua carreira académica que Manuela Pintado tem como mote o papel dos alimentos na saúde e o impacto que certos ingredientes pouco explorados podem ter na prevenção de algumas doenças crónicas: "a valorização de resíduos e subprodutos agroalimentares apresenta-se hoje em dia não só como uma necessidade mas como uma oportunidade para obtenção de novos produtos de valor acrescentado", sustenta.

Atualmente integrada no conselho científico das ciências naturais da FCT, bem como noutras associações nacionais e estrangeiras, a investigadora olha com "otimismo constante" para impacto da investigação científica na diferenciação, "mesmo em momentos de crise económica."

Apesar das dificuldades do momento atual, admite que este permitiu uma reorganização das estruturas e a uma maior abertura a redes internacionais com vias alternativas de financiamento. Vê ainda o Horizonte 20/20 da União Europeia como uma janela de otimismo.

Para o futuro, Manuela Pintado pede que se aproveite "todo o reconhecimento internacional que fomos atingindo até agora para se fazer ainda mais e melhor, com a qualidade e excelência que existe na investigação em Portugal."

Acompanhe no Expresso Diário as histórias de 20 investigadores portugueses até 8 de janeiro