Guerra na Ucrânia

Troca de acusações sobre ataques a central nuclear. Amnistia lamenta "raiva" do seu relatório mas mantém conclusões

7 agosto 2022 19:55

wikipédia

Rússia e Ucrânia acusam-se mutuamente dos ataques à maior central nuclear da Europa, que levou ao encerramento de um reator e aumentou os receios de catástrofe nuclear. A Amnistia Internacional veio, entretanto, lamentar a "raiva" desencadeada por um relatório seu em que acusou as forças ucranianas de colocarem civis em perigo, mas manteve as conclusões. Esta segunda-feira devem sair mais cereais dos portos de Chornomorsk e de Odessa.

7 agosto 2022 19:55

O maior complexo de energia atómica da Europa, Zaporijia, ocupado pela Rússia no início da ofensiva contra a Ucrânia, tem sido palco nos últimos dias de ataques militares que danificaram várias estruturas, forçando o encerramento de um reator.
Ucrânia e Rússia acusam-se mutuamente. Enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu uma resposta internacional mais musculada na resposta ao que chamou "terror nuclear" da Rússia, os russos vieram acusar o exército ucraniano de ter realizado um “ataque com uma bomba de fragmentação disparada de um lançador múltiplo de foguetes Ouragan” e que "os projéteis caíram a 400 metros de um reator em funcionamento", danificando alguns edifícios administrativos.

Localizada na cidade de Energodar, no sul da Ucrânia, Zaporijia é a maior das quatro centrais nucleares da Ucrânia, que em conjunto fornecem cerca de metade da eletricidade do país. A central é de importância estratégica para a Rússia, fica apenas a cerca de 200 km da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014. A central foi capturada pelas forças russas na fase de abertura da guerra, mas continua a ser gerida pelos seus técnicos ucranianos.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, manifestou-se "extremamente preocupado" com o bombardeamento da maior central nuclear da Europa, porque "sublinha o risco muito real de uma catástrofe nuclear que ameaça a saúde pública e o ambiente, na Ucrânia e não só". Numa declaração divulgada em Viena, Grossi considerou que se "está a brincar com o fogo".

Pelo meio, os serviços de emergência ucranianos libertaram imagens de drone, de um edifício em chamas em Mykolaiv, depois do que as autoridades dizem ter sido um ataque russo.

A par da troca de acusações entre os dois países, a organização não-governamental Amnistia Internacional veio, entretanto, lamentar a "raiva" desencadeada por um relatório seu em que acusou as forças armadas ucranianas de colocarem civis em perigo. Mas manteve as suas conclusões.
No relatório que motivou a fúria do presidente Zelensky e a demissão da responsável da AI, em Kiev, a AI alertava para que as forças ucranianas colocam em perigo a população civil quando estabelecem bases militares em zonas residenciais e lançam ataques a partir de áreas habitadas por civis. Apesar de “lamentar profundamente a consternação e a raiva que o comunicado de imprensa sobre táticas de combate do Exército ucraniano provocou”, a AI assegurou que as conclusões do relatório foram "baseadas em provas obtidas durante investigações de larga escala sujeitas aos mesmos padrões rigorosos e processo de verificação de todo o trabalho da AI".

A única boa notícia, é que quatro navios de transporte retidos na Ucrânia devido à guerra, receberam autorização para deixar a costa do mar Negro, no âmbito do acordo assinado por Kiev e Moscovo para permitir a retoma das exportações de cereais. De acordo com o órgão que supervisiona o acordo internacional destinado a retirar cerca de 20 milhões de toneladas de cereais da Ucrânia para alimentar milhões de pessoas empobrecidas em África, Médio Oriente e partes da Ásia, os navios deverão partir dos portos de Chornomorsk e Odessa na segunda-feira.