Guerra na Ucrânia

Alemães divididos sobre envio de armas pesadas à Ucrânia

5 julho 2022 12:35

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A prudência do chanceler alemão, Olaf Scholz, contrasta com os pedidos para que a Alemanha aumente substancialmente o apoio à Ucrânia

5 julho 2022 12:35

O chanceler alemão, Olaf Scholz, demorou vários meses até finalmente dar 'luz verde' ao envio de armamento pesado à Ucrânia, e o líder ​​​​​​do Partido Social Democrata (SPD) continua a ser pressionado a reforçar esse apoio. Uma carta aberta assinada por deputados do parlamento europeu pede ao governo alemão que aumente significativamente a ajuda a Kiev para que vença a guerra com a Rússia.

Para o politólogo Lothar Probts, os eleitores estão divididos: “A maioria apoia a entrega de armas pesadas, outros são mais céticos. Não só a Alemanha, também outros países falharam o ponto em que a entrega de armas pesadas foi mais útil (nos primeiros dias da agressão da Rússia). Mas finalmente a Alemanha tomou parte nesta ação. O treino dos soldados ucranianos na utilização destas armas também levou algum tempo”, destacou à Lusa.

Para o investigador e politólogo Oscar Prust, da Universidade Martin-Luther de Halle, Scholz tem feito um bom trabalho na gestão do conflito e interesses da União Europeia. “Parece-me que toma o seu tempo para digerir o que se passa e delinear uma estratégia. Hesitou porque pensou que a Alemanha talvez pudesse ajudar a Ucrânia de outras formas sem risco de agravar o problema com a Rússia”, revelou em declarações à agência Lusa, adiantando que o envio de armamento não peca por tardio.

“Não penso que seja muito tarde. O envio de armas pesadas faz parte de uma estratégia concertada do ocidente para munir a Ucrânia (…) Penso que a Alemanha esperou tanto tempo para enviar armas porque estava a trabalhar na via diplomática, em alguma espécie de negociação”, sublinhou.

O atraso custou a Berlim várias críticas internacionais, mas o SPD também está a pagar a fatura internamente. De acordo com a última sondagem do instituto INSA, revelada no sábado, se as eleições gerais fossem hoje a União Democrata-Cristã (CDU), maior partido da oposição, venceria com 27% dos votos.

Em segundo lugar aparecem os Verdes, companheiros de coligação do SPD, com 22%, e apenas em terceiro, com 20%, surge o partido de Olaf Scholz, com uma queda de 5,7 pontos percentuais em relação ao resultado obtido no escrutínio de 26 de setembro de 2021.

Para Oscar Prust, os alemães deverão esquecer este atraso no envio de armamento para Kiev, não a curto, nem médio prazo, mas sim a longo prazo. “Vão perguntar-se porque é que a guerra começou e porque é que não foi evitada. Mas não porque é que as armas foram enviadas tarde, ou porque não foram enviadas mais”, considerou.

“A Alemanha, como potência central da Europa, vai ter um papel fundamental na reconstrução da Ucrânia. Será o seu foco nos próximos 10, 20 anos no que respeita a políticas ocidentais”, apontou Prust.