Guerra na Ucrânia

A decisiva batalha da propaganda: "No dia em que a Ucrânia perder o apoio da opinião pública ocidental, perderá a guerra"

4 julho 2022 20:53

Ao contrário do que se possa pensar, Rússia e Ocidente estão taco a taco na luta para difundirem as suas narrativas, mesmo que a propaganda de Moscovo seja "feita à moda antiga". "Tenho lido algumas coisas que têm sido publicadas sobre como a China relata este conflito, e não se consegue encontrar a palavra 'invasão'", refere Nelson Ribeiro, premiado com uma bolsa de investigação da Universidade de Stanford para estudar a transmissão de conteúdos para os países satélites da antiga União Soviética. O também diretor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica explica como as guerras se perdem e se ganham na propaganda e alerta para a reciclagem de ideias que perpetua divisões: as narrativas criadas durante a guerra na Ucrânia "vão manter-se durante gerações"

4 julho 2022 20:53

Passando pelas narrativas nazis e pela RARET, que transmitia de Portugal conteúdos ocidentais para os países do antigo bloco de Leste, até ao conflito "das mentes e dos corações" que foi a Guerra Fria, Nelson Ribeiro traça um diagnóstico das fissuras concebidas por meio de propaganda. Nesta conversa com o Expresso, o especialista em comunicação política analisa a importância da comunicação no atual conflito na Ucrânia, lembrando, por exemplo, que a rádio BBC retomou as emissões para o leste europeu, porque as ondas curtas são mais difíceis de bloquear do que a internet. O académico sublinha ainda como o conceito de propaganda é mais lato do que se pensa e chama a atenção para a eficácia russa em alguns pontos do globo: "Nos países mais pobres, a narrativa de que a falta de cereais está a ser provocada pela Ucrânia ou pelos seus aliados está a fazer o seu caminho"