Guerra na Ucrânia

NATO vai ficar “mais forte do que nunca” com adesão da Finlândia e Suécia, diz Joe Biden

30 junho 2022 17:07

leah millis

“Putin pensou que podia quebrar a aliança transatlântica. Tentou enfraquecer-nos, pensou que a nossa determinação se ia fraturar, mas está a ter exatamente o oposto do que queria", declarou o Presidente dos EUA no final da cimeira de chefes de Estado e de Governo, em Madrid

30 junho 2022 17:07

O Presidente dos Estados Unidos defendeu hoje que a NATO vai ficar “mais forte do que nunca” com a adesão da Finlândia e da Suécia e defendeu que Putin obteve o oposto do que pretendia ao invadir a Ucrânia.

“A Finlândia e a Suécia estão mais próximas do que nunca de aderirem [à NATO]. Estamos mais unidos do que nunca e, com a adesão da Suécia e da Finlândia, vamos ficar mais fortes do que nunca. Têm [os dois países] Forças Armadas muito potentes, vamos aumentar a fronteira da NATO em mais de 800 milhas na fronteira entre a Finlândia e a Rússia”, afirmou Joe Biden.

O Presidente dos Estados Unidos falava em conferência de imprensa no Parque de Exposições de Madrid, no nordeste da capital espanhola, no fim da cimeira de chefes de Estado e de Governo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês).

Biden, que se deslocou à Europa para participar na cimeira da NATO, mas também do G7 (as sete maiores economias mundiais), defendeu que, “em todos os passos” dessa viagem, foram estabelecidos “marcos de união, de determinação e de forte capacidade das nações democráticas do mundo de fazer o que é necessário”.

“O [Presidente da Federação Russa, Vladimir] Putin pensou que podia quebrar a aliança transatlântica. Tentou enfraquecer-nos, pensou que a nossa determinação se ia fraturar, mas está a ter exatamente o oposto do que queria. Ele queria a ‘finlandização’ da NATO, mas obteve a ‘natoização’ da Finlândia”, frisou.

“Antes de a guerra começar, avisei Putin que, se ele invadisse a Ucrânia, a NATO não só ficaria mais forte, mas também mais unida, e iríamos ver as democracias do mundo a oporem-se à sua agressão e a defender uma ordem internacional baseada em regras. É exatamente isso que estamos a ver hoje”, acrescentou.

O Presidente norte-americano qualificou a cimeira da NATO como “histórica”: “Esta cimeira era sobre fortalecer a nossa Aliança, enfrentar os desafios do nosso mundo como está atualmente e as ameaças que vamos enfrentar no futuro”.

Biden abordou o Conceito Estratégico aprovado pela Aliança em 2010 em Lisboa – onde a Rússia era considerada um “parceiro” e a China não era mencionada – contrapondo-o com o Conceito Estratégico adotado nesta cimeira que hoje termina na capital espanhola, que identifica a Rússia como a principal ameaça para o espaço euro-atlântico.

“O mundo mudou, e mudou muito [desde 2010], e a NATO também está a mudar”, frisou.

Nesta conferência de imprensa, Joe Biden afirmou ainda que os Estados Unidos e a NATO vão apoiar a Ucrânia “o tempo que for necessário para assegurar que [os ucranianos] não são derrotados pela Rússia”.

O Presidente dos Estados Unidos disse não saber “como ou quando” é que a guerra vai terminar, mas assegurou que não acabará “com uma derrota da Ucrânia”.

“A Rússia não pode derrotar a Ucrânia e ir [atacar outros territórios] além da Ucrânia: isto é uma situação crítica para o mundo”, sublinhou.

Nesse sentido, o Presidente norte-americano anunciou que os Estados Unidos vão fornecer um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia, equivalente a “mais de 800 milhões de dólares”, contemplando o fornecimento de sistemas de artilharia e de defesa antiaérea, assim como por outros equipamentos.

Noutro aspeto, o Presidente norte-americano mostrou-se também favorável à venda de caças F-16 à Turquia, uma aquisição que tem sido bloqueada pelo Congresso dos Estados Unidos após a aquisição, por Ancara, de sistemas de mísseis russos S-400.

Biden afirmou que os Estados Unidos “deviam vender F-16” à Turquia, mas necessita do apoio do Congresso para poder fazê-lo.

“Acho que posso obter” esse apoio, referiu Biden.