Guerra na Ucrânia

Esmagadora maioria dos ucranianos não concorda que sejam cedidos territórios à Rússia para acabar com a guerra

30 junho 2022 19:37

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

michal cizek/getty images

Ao mesmo tempo que discordam da entrega de territórios à Rússia, incluindo a Crimeia e zonas do Donbas que estão sob o controlo russo, os ucranianos estão otimistas quanto ao desfecho da guerra. Mais de metade acredita que as tropas ucranianas vão conseguir expulsar os russos dos territórios ocupados, segundo uma sondagem realizada pelo "Wall Street Journal".

30 junho 2022 19:37

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Ao fim de quatro meses de guerra na Ucrânia, está tudo em aberto quanto a possíveis desfechos para o conflito. A esmagadora maioria dos ucranianos não concorda contudo que, para garantir a paz, sejam cedidos à Rússia territórios que foram capturados por tropas russas desde o início da guerra, a 24 de fevereiro. Segundo uma sondagem realizado pelo "Wall Street Journal" divulgado esta quinta-feira, 89% da população ucraniana considera "inaceitável" esta entrega de terras.

Mesmo os territórios que já estavam sob o domínio russo antes do início da guerra na Ucrânia, como a Crimeia — península no Mar Negro que foi invadida e anexada pela Rússia em 2014 — e determinadas zonas do Donbas — região que se encontra quase totalmente controlada por separatistas pró-Kremlin — não devem ser entregues ao Governo russo, segundo a maioria dos ucranianos.

Cerca de 80% consideram essa cedência igualmente "inaceitável", de acordo com a sondagem publicada pelo jornal norte-americano e a NORC, uma das maiores organizações independentes que realiza investigação e estudos na área das ciências sociais nos EUA.

O inquérito, a que responderam 1.005 pessoas que vivem nas regiões controladas por Kiev ou estão deslocadas, encontrando-se a viver fora do país, foi conduzido entre 9 e 13 de junho, numa altura em que os EUA prometeram enviar sistemas avançados de lançamento de mísseis para a Ucrânia. E foi realizado antes de a Rússia ter atacado a capital do país, Kiev, e fazer progressos no Donbas, refere também o jornal norte-americano, sugerindo que os resultados devem ser analisados e interpretados à luz destes acontecimentos.

"A rejeição de um acordo que envolva a cedência de territórios assenta, em grande medida, no otimismo que os ucranianos depositam no sucesso das suas forças no campo de batalha", refere o "Wall Street Journal. Assim, mais de metade dos ucranianos que participaram na sondagem (66%) referiram que é "provável" que a Ucrânia consiga expulsar as tropas russas dos territórios que foram capturados este ano. Apenas 10% consideram esse cenário "improvável".

Mais de metade dos ucranianos acredita numa vitória

Do total de inquiridos, 53% considera mesmo que as forças ucranianas vão conseguir expulsar os russos dos territórios ocupados antes do começo da guerra, o que inclui a Crimeia e a região do Donbas. Um quarto dos ucranianos acredita que a guerra vai manter-se num impasse e apenas 6% referiram, quando questionados sobre os possíveis desfechos da atual guerra, que o conflito vai terminar com um acordo de cessar-fogo que permitirá à Rússia manter na sua possa os territórios que controla no Donbas e no sul do país.

"A sondagem revela que estamos perante uma nação que se uniu em resposta a uma ameaça externa", afirmou Vadim Volos, vice-presidente da NORC, num comentário aos resultados. Segundo o responsável, o otimismo dos ucranianos face a uma vitória por parte da Ucrânia deve-se "não a um cálculo ou previsão" sustentada no avanços e recuos que vão acontecendo no teatro de operações, mas a uma crença. "Têm fê nisso. Essa espécie de crença religiosa fá-los dizer 'temos de ganhar'".

De resto, mantém-se forte o apoio que Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem junto da população. Quase 80% dos inquiridos aprova a resposta que foi dada pelo país à invasão da Rússia. Apenas 7% dos ucranianos discorda da abordagem que foi utilizada, avaliando negativamente o desempenho e as medidas adotadas por Zelensky no contexto do conflito a que se assiste no país.