Guerra na Ucrânia

China critica NATO por ter “mentalidade da Guerra Fria” e acusa G7 de “semear a divisão”

29 junho 2022 15:18

Zhao Lijian, porta-voz do Governo chinês

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A China atacou o grupo dos países mais industrializados do mundo, depois de os líderes destes sete Estados terem manifestado preocupação com os direitos humanos no país e terem denunciado as práticas comerciais “não transparentes e que distorcem o mercado”. Sobre a NATO, Pequim disse que tem uma “mentalidade da Guerra Fria”, e voltou a criticar as sanções económicas ocidentais aplicadas à Rússia

29 junho 2022 15:18

A China acusou os países do G7 de “semearem a divisão”, depois de o grupo que reúne as nações mais industrializadas do mundo ter condenado a alegada falta de transparência de Pequim nas suas práticas comerciais. Mas o G7 não foi o único alvo das críticas de Pequim. O Governo chinês também apontou o dedo à NATO, por, como defendeu, ter uma “mentalidade da Guerra Fria”. Estas declarações foram proferidas numa altura em que a Aliança Atlântica, reunida numa cimeira em Madrid, se prepara para definir o país asiático como um desafio para a segurança global.

Os líderes do G7 (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá) também estiveram reunidos no sul da Alemanha, entre domingo e terça-feira, e usaram uma linguagem particularmente assertiva contra a China, na sua declaração conjunta, após uma cimeira de três dias. O G7 expressou a sua preocupação com os direitos humanos no país e denunciou as práticas comerciais “não transparentes e que distorcem o mercado” por parte de Pequim.

“Enquanto a comunidade internacional luta contra a pandemia e se esforça para reanimar a economia, o G7 não apenas falha em comprometer-se com a unidade e a cooperação, mas, em vez disso, está empenhado em dividir e criar antagonismos, sem qualquer senso de responsabilidade ou princípio moral”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, em conferência de imprensa.

Washington há muito que aponta críticas às práticas comerciais de Pequim, que acusa de favorecer as empresas chinesas, em detrimento das empresas estrangeiras, ou de transferência forçada de tecnologia. Mas o facto da Alemanha, que é a maior economia da União Europeia (UE), que tem a China como maior parceiro comercial e que exerce atualmente a presidência do G7, criticar diretamente as práticas do país asiático é uma novidade. Na sua declaração final, os líderes do G7 também apontaram que querem “fomentar a diversificação e a resistência à coerção económica, e reduzir as dependências estratégicas” em relação ao país asiático.

Já na cimeira da NATO, na capital espanhola, a aliança incluiu as preocupações com a China no seu novo conceito estratégico. No documento aprovado em Madrid e preparado para a próxima década, a NATO afirma que a China “declarou ambições e políticas coercivas”, desafiando os “interesses, segurança e valores” dos aliados.

O anterior conceito estratégico, aprovado em Lisboa, em 2010, não continha referências à China.

NATO "cria tensão e provoca conflitos”

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, disse que a NATO devia “desistir da mentalidade da Guerra Fria, dos jogos de ‘tudo ou nada’ e da prática de criar inimigos”. A Aliança “não devia tentar transtornar a Ásia e o mundo inteiro depois de perturbar a Europa”, apontou.

Zhao Lijian acusou os membros da NATO de “criar tensão e provocar conflitos” ao enviar navios de guerra e aeronaves para áreas próximas ao continente asiático e ao Mar do Sul da China.

Estas observações de Pequim surgem após uma recente interceção de uma aeronave de vigilância do Canadá, por um caça chinês, no espaço aéreo internacional, que as autoridades canadianas descreveram como imprudente por parte do piloto chinês.

A Austrália, aliada dos Estados Unidos, disse também que, a 26 de maio, a China cometeu um perigoso ato de agressão contra um avião da Força Aérea australiana que realizava operações de vigilância aérea no Mar do Sul da China.

O porta-voz da diplomacia chinesa também criticou as sanções impostas contra a Rússia, cuja invasão da Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro, Pequim recusou condenar ou mesmo descrever como um ato de agressão.