Guerra na Ucrânia

Moskva: a importância do navio de guerra russo, as baixas e as duas versões sobre como se terá afundado

15 abril 2022 20:42

O navio Moskva entrando na baía de Sebastopol

vasily batanov/getty images

A Rússia atribui as culpas a um incêndio "inexplicável" e à agitação marítima. Já a Ucrânia afirma que atingiu o cruzador de mísseis com um dos seus mísseis Neptune

15 abril 2022 20:42

Quais as versões para o afundamento do Moskva?

Quer a Ucrânia, quer a Rússia, dizem que o cruzador de mísseis russo, Moskva, se afundou esta quinta-feira. Mas as duas versões variam um pouco. Afinal, o que aconteceu?

Do lado da Rússia o Ministério da Defesa reconheceu que o Moskva se afundou, mas atribui as culpas a um incêndio "inexplicável" e diz que o navio virou devido à agitação marítima.

Por outro lado, a Ucrânia diz que atingiu o Moskva com pelo menos um de seus mísseis Neptune e que essa foi a causa do navio ir ao fundo. Um alto responsável do Pentágono declarou hoje que o cruzador foi afundado por dois mísseis ucranianos, sublinhando que foi “um grande golpe” para a Rússia.

“Pensamos que eles o atingiram com dois Neptune”, indicou o alto responsável citado pela agência de notícias francesa AFP a coberto do anonimato, desmentindo assim a versão de Moscovo.

Como é que um míssil pode ter atingido o navio?

Segundo a BBC, o míssil Neptune foi desenhado após a invasão da Crimeia em 2014 e tinha como objetivo voar perto da superfície do mar por forma a evitar a sua deteção. Por isso, caso a versão ucraniana esteja correta, os russos não se aperceberam do míssil até ser tarde demais.

Os navios como o Moskva foram projetados para serem equipados com o sistema de defesa aérea de longo alcance e, segundo o "The Guardian", os mísseis ucranianos foram disparados perto de Odesa, enquanto a tripulação do Moskva estava distraída por dois drones turcos a operar por perto.

O responsável do Departamento da Defesa norte-americano citado pela AFP não confirmou, contudo, as informações de que o exército ucraniano distraiu a defesa do Moskva com um ‘drone’ (aeronave não-tripulada) de um lado do navio, enquanto os Neptune o atingiam do outro lado.

Qual era a importância do Moskva?

Com 186 metros de comprimento, o “Moskva” tinha uma tripulação de 510 efetivos. O navio de guerra tinha ficado famoso pelo incidente na Ilha das Serpentes no início deste conflito. Naquela altura, os guardas da fronteira ucranianos gritaram para bordo “Vão lixar-se!” quando os marinheiros russos exigiram a sua rendição no pequeno território do Mar Negro.

A perda da operacionalidade do Moskva - datado de 1983 - é um duro golpe para a Rússia. Além do mais, segundo a "Reuters", a marinha russa tem lançado mísseis de cruzeiro para território ucraniano a partir do Mar Negro - onde se encontrava o navio em causa - uma ação considerada essencial para apoiar as operações em terra no sul do país, onde continua a batalha para o controlo total de Mariupol.

Todavia, como lembra o jornal "The Guardian", o naufrágio provavelmente não altera a capacidade da marinha russa de bloquear o litoral da Ucrânia.

Houve muitas baixas?

Não se sabe com exatidão. O ex-deputado e membro da oposição Ilya Ponomarev garantiu que só sobreviveram 58 dos 510 tripulantes . Esta informação contradiz o que disse ontem o ministério da defesa russo, que afirmou que todos os tripulantes do navio tinham conseguido passar para outros navios russos no Mar Negro.

Por outro lado, o Ministério da Administração Interna da Ucrânia adianta que o capitão Anton Kuprin, comandante do navio, morreu durante a explosão e o incêndio a bordo. Foi Kuprin que deu ordem para bombardear a Ilha das Serpentes no primeiro dia da guerra, diz a Nexta.