Guerra na Ucrânia

Guerra na Ucrânia, dia 48: capturar Mariupol, Donetsk e Luhansk são os “esforços principais” do exército russo

As tropas russas pintam o mapa da Ucrânia no leste, junto à fronteira, e no sul, perto da Crimeia. Infografia: Jaime Figueiredo

O sul e o leste da Ucrânia continuam a ser fortemente atacados pelas tropas russas, que se concentram agora, sobretudo, na cidade portuária estratégica de Mariupol e nos territórios separatistas pró-russos Donetsk e Luhansk, na região do Donbas. A avaliação é feita pelo Instituto para o Estudo da Guerra, um think tank que analisa diariamente as movimentações russas e contraofensivas ucranianas

12 abril 2022 18:23

Mara Tribuna

Mara Tribuna

Jornalista

Jaime Figueiredo

Jaime Figueiredo

Coordenador-Geral de Infografia

Ao fim de 48 dias de guerra na Ucrânia, as forças russas estão prestes a conquistar Mariupol. A cidade portuária do sul, estratégica para Putin, está cercada há mais de um mês e tem sido um dos principais alvos das tropas invasoras. Esta segunda-feira, a Rússia intensificou os combates em Mariupol e foi acusada de usar “substâncias tóxicas”. O alegado ataque com armas químicas ainda está a ser apurado, mas Zelensky já deixou um alerta aos líderes ocidentais: estamos numa nova “etapa de terror”.

A captura de Mariupol é um dos “esforços principais” do exército russo neste momento, constata o Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War - ISW) na sua avaliação diária das movimentações russas e contraofensivas ucranianas, publicada esta segunda-feira. “As forças russas podem ter utilizado armas químicas contra os defensores ucranianos em Mariupol, embora o ISW não possa, neste momento, verificar de forma independente as alegações ucranianas”, ressalva o think tank de assuntos militares sediado nos Estados Unidos.

Morreram cerca de 21 mil civis durante o cerco a Mariupol, segundo avançou o presidente da Câmara, Vadym Boychenko, no balanço mais recente do número de mortos. Para agravar a situação, a ajuda humanitária está a fracassar: cerca de 120.000 civis precisam urgentemente de comida, água, aquecimento e comunicações, alertou ainda o autarca de Mariupol.

A expectativa é a de que a Rússia deve tentar controlar Mariupol antes de avançar sobre Donetsk e Luhansk. E, segundo o chefe dos separatistas russófonos de Donetsk, Denis Pushilin, as suas forças já controlam totalmente a zona portuária da cidade. “Em relação ao porto de Mariupol, já está sob o nosso controlo”, afirmou esta segunda-feira, citado pela agência noticiosa Ria-Novosti.

Rússia quer “capturar a totalidade de Donetsk e Luhansk”

O Donbas também passou a ser uma das principais missões das forças russas, com destaque para os “ataques frontais em Donetsk e Luhansk” nos últimos dias, nesta região do leste da Ucrânia, nota o Instituto para o Estudo da Guerra. O objetivo da Rússia, de acordo com o ISW, é “capturar a totalidade de Donetsk e Luhansk, os territórios reivindicados pelos separatistas russos em Donbas”.

Luhansk voltou a ser bombardeada durante a noite — informou o governador Serhiy Haidai — nomeadamente as cidades de Severodonetsk, Lysychansk, Kreminna, Novodruzhesk e Rubizhne. Em Donetsk, as “batalhas continuam todo o dia, todos os dias”, denunciou também o governador Pavlo Kyrylenko em declarações à BBC. Os combates são particularmente intensos na linha que separa o território controlado pela Ucrânia do território ocupado pela Rússia, notou Kyrylenko.

Ainda assim, as Forças Armadas ucranianas dizem ter repelido seis ataques em Donetsk e Luhansk, e destruído vários equipamentos militares inimigos, incluindo carros de combate e helicópteros.

As tropas invasoras já estão a ser reforçadas no Donbas, diz o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Uma coluna de tanques militares russos está a dirigir-se para Izium, segundo avançou o porta-voz do Pentágono, John Kirby, esta segunda-feira. Outra missão das forças russas, destacada pelo Instituto para o Estudo da Guerra, passa por “reforçar militarmente dois eixos: Izium e Donbas”.

A Rússia está ainda a defender as suas posições em Kherson, no sul junto à Crimeia, dos contra-ataques ucranianos. As áreas agora ocupadas pelas forças russas ficam estrategicamente a leste do rio Dniepre, que divide o país em dois.