Guerra na Ucrânia

Tropas russas avançam para leste: “A próxima batalha crucial da guerra na Ucrânia” será no Donbas

6 abril 2022 18:09

Mara Tribuna

Mara Tribuna

Jornalista

Jaime Figueiredo

Jaime Figueiredo

Coordenador-Geral de Infografia

As tropas russas pintam o mapa da Ucrânia no leste, junto à fronteira, e no sul, perto da Crimeia. Infografia: Jaime Figueiredo

Ao 42.º dia de guerra na Ucrânia, os ataques russos concentram-se agora no leste e no sul do país, com destaque para as cidades de Mariupol, Kharkiv, Luhansk e Donetsk, no Donbas. Esta região é particularmente estratégica e, apesar de as tropas invasoras estarem a enfrentar algumas dificuldades, Sloviansk pode ser o próximo alvo

6 abril 2022 18:09

Mara Tribuna

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Jaime Figueiredo

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Coordenador-Geral de Infografia

Depois de 42 dias de combate em solo ucraniano, as forças russas continuam a reposicionar-se no leste e sul do país. Desde o início da guerra, a 24 de fevereiro, as tropas galgaram terreno em cidades transfronteiriças e cidades portuárias estratégicas junto à Crimeia, para vedar o acesso da Ucrânia ao Mar Negro — o Mar de Azov, entre a fronteira e a Crimeia, já está bloqueado pelas forças navais russas. As áreas agora ocupadas ficam a leste do rio Dniepre, que divide o país em dois.

Na avaliação diária das movimentações russas e contraofensivas ucranianas, publicada esta terça-feira, o Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War - ISW) diz que a retirada dos militares russos das redondezas da capital ucraniana, Kiev, “está prestes a ser concluída”. Por outro lado, a batalha de Mariupol prossegue e “as forças russas continuam a esmagar” a cidade portuária estratégica no sudeste da Ucrânia.

Mariupol tem sido uma das cidades ucranianas mais fustigadas pela guerra: está sob fogo há mais de um mês. Entretanto, a situação humanitária está a piorar, alertaram os serviços secretos britânicos esta quarta-feira. “A maioria dos 160.000 residentes que ainda estão na cidade não têm luz, forma de comunicar, medicamentos, aquecimento ou água. As forças russas têm impedido o acesso humanitário, o que pode pressionar as tropas ucranianas a renderem-se”, avisaram os serviços secretos do Ministério da Defesa do Reino Unido na última atualização sobre a situação na Ucrânia.

Em Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana, no nordeste do país, houve um forte bombardeamento durante a noite. Em Luhansk e Donetsk, territórios separatistas pró-russos, os ataques de artilharia também se intensificaram. E o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já avisou para uma forte ofensiva no Donbas, lembrando que o seu exército tem menos tropas e menos equipamento militar. “Não temos escolha, o destino da nossa terra e do nosso povo está a ser decidido”, lamentou Zelensky num discurso à nação esta terça-feira à noite.

Na perspetiva do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, os militares russos estão a concentrar esforços em Luhansk e Donetsk por dois motivos: tentar conquistar as cidades de Popasna e Rubizhne, e aniquilar Mariupol. Ainda assim, apesar dos ataques concentrados no leste do país, o Instituto para o Estudo da Guerra diz que as tropas russas estão a fazer “pouco ou nenhum progresso” e a enfrentar alguns problemas técnicos, nomeadamente falta de suprimentos. Além disso, e segundo os serviços secretos britânicos, as tropas russas no leste precisam de um reforço significativo do seu material militar para vingarem.

Há uma cidade ucraniana que, segundo o think thank de assuntos militares sediado nos Estados Unidos, será crucial para dominar o resto da região do Donbas: Sloviansk. “Os esforços das forças russas que avançam de Izium para capturar Sloviansk e ameaçar as forças ucranianas em Donbas serão provavelmente a próxima batalha crucial da guerra na Ucrânia”, antecipa o instituto. “Se as forças russas não forem capazes de conquistar Sloviansk, a campanha da Rússia para capturar a totalidade de Luhansk e Donetsk irá provavelmente falhar”.

As tropas abandonaram o ataque a Kiev e também estão a recuar em direção à Rússia ao longo de Sumy, mas não é claro se pretende recuar até à fronteira ou se tencionam manter algumas posições militares nesta cidade do nordeste do país, diz ainda o ISW.