Guerra na Ucrânia

Camiões começam a parar esta segunda-feira

13 março 2022 18:08

Eunice Lourenço, com Lusa

Cerca de 270 empresários de transporte de mercadorias estiveram reunidos este domingo

josé sena goulão/lusa

Plataforma para a Sobrevivência do Setor agrega cerca de 200 empresários. Querem acesso facilitado a gasóleo profissional e descida nas portagens

13 março 2022 18:08

Eunice Lourenço, com Lusa

Cerca de 300 viaturas pesadas de transporte devem ficar paradas a partir desta segunda-feira como forma de pressão para que o Governo tome medidas de resposta ao aumento de combustíveis motivado pela Guerra na Ucrânia. A paralisação foi anunciada pela Plataforma para a Sobrevivência do Setor, um grupo de empresas de transportes que estiveram reunidas este domingo à tarde em Castanheiro do Ribatejo.

Segundo o porta-voz da Plataforma, Paulo Paiva, na reunião foi decidido que as empresas participantes vão parar 20% das suas frotas a partir desta segunda-feira e por tempo indeterminado. Esses 20% correspondem a 300 camiões.

Em declarações à CNN Portugal, Paulo Paiva apresentou as reivindicações destas empresas: querem ter acesso a "liquidez imediata"; suspensão do Imposto sobre Combustíveis (ISP); desconto direto no gasóleo profissional no fornecedor; alargamento do acesso a gasóleo profissional para veículos a partir das 7,5 toneladas; passagem dos veículos de classe 4 para classe 2 no pagamento de portagens.

"Se for necessário vamos até à paralisação total", disse Paulo Paiva, o porta-voz dos mais de 200 empresários do setor de transporte de mercadorias que estiveram reunidos em Castanheira do Ribatejo, perto de um dos maiores centros logísticos do país.

Estes empresários criticam a medida já anunciada pelo Governo de criação de uma linha de crédito de 400 milhões de euros para empresas que estejam a ter fortes subidas nos custos de produção devido aos aumentos na energia.

“Nós não precisamos de endividamento, precisamos de redução imediata de custos. Não precisamos, não queremos, não podemos e nenhum de nós está para pedir créditos”, afirmou Paulo Maia aos jornalistas à entrada para a reunião.

“Precisamos de medidas imediatas para poder trabalhar, não conseguimos aguentar estes preços dos combustíveis e os nossos clientes não conseguem aguentar. Não é um problema só dos transportadores, é um problema do povo, de modo geral. Isto é uma cadeia e se nós aumentarmos [os preços], tudo vai aumentar e o consumidor final vai pagar”, disse, por outro lado o empresário Mário Norte, citado pela Agência Lusa.

Os 270 empresários que se reuniram esta domingo representam pequenas, médias e grandes empresas transportadoras que dizem não ter ligações às associações do setor. Já a Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), a maior associação do setor, teve uma reunião no sábado onde foi decidido não passar, por agora, para ações de protesto. Apesar de muitos associados quererem organizar protestos, o anúncio da linha de crédito feito pelo ministro da Economia deu a esta associação sinal da disponibilidade e da compreensão do Governo.

Os associados da Antram admitem que a solução para a sobrevivência das empresas de transporte de mercadores passa por um aumento de tarifas.

Os transportadores rodoviários de mercadorias não foram abrangidos pelas medidas anunciadas pelo Governo para mitigar o impacto da subida dos preços dos combustíveis e que incluem, designadamente, a subida do desconto no Autovoucher de cinco para 20 euros e o prolongamento por mais três meses do apoio dado a táxis e autocarros (pagando agora 30 cêntimos por litro de combustível, em vez dos atuais 10).

Os preços dos combustíveis dispararam nas últimas semanas, tanto nos EUA como na Europa, atingindo os níveis mais altos da última década, devido aos receios de uma redução na oferta, provocada pela invasão russa da Ucrânia.

Em Portugal, o gasóleo sofreu na semana passada um agravamento superior a 14 cêntimos por litro, enquanto a gasolina ficou cerca de oito cêntimos mais cara.

A partir de segunda-feira, o preço por litro do gasóleo deverá subir 13,6 cêntimos e o da gasolina 9,3 cêntimos, segundo contas feitas pela Lusa com base nos números fornecidos pelo Governo para a redução do ISP.