Guerra na Ucrânia

À volta de Kiev corre-se para salvar a vida

12 março 2022 8:32

Ricardo García Vilanova, em Chernihiv e Irpin

EVACUAÇÃO À esquerda, soldados ucranianos ajudam uma idosa a atravessar uma ponte na cidade de Irpin, nos arredores de Kiev, destruída no passado dia 7

sergei supinsky/afp via getty images

Cerco russo a Chernihiv e Irpin não poupa civis. O Expresso falou com os que não conseguiram ou não quiseram partir, e que todos os dias arriscam a vida numa paisagem desoladora

12 março 2022 8:32

Ricardo García Vilanova, em Chernihiv e Irpin

Um estrondo sobressalta, de repente, os jornalistas e um condutor que viajam num carro visivelmente civil. A viatura detém-se momentaneamente, ao aparecer no ar um avião russo, em voo rasante, identificável pelas cores: azul e cinzento. Ato contínuo, a aeronave desaparece no nada. Vê-se no céu uma bomba enorme. Tudo parece acontecer em câmara lenta, embora o impacto demora apenas dois segundos a fazer-se sentir.

Dá tempo (à justa) para uma pessoa se atirar ao chão na parte frontal do carro e esperar pela detonação, sem saber se os tais dois segundos vão ser os últimos. A explosão sucede, por milagre todos os ocupantes do veículo estão vivos. Uma fotografia ou um vídeo nunca transmitem o horror de uma guerra e, embora as câmaras da reportagem do Expresso fossem visíveis, nunca saberemos se o piloto percebeu que estavam ali jornalistas. O episódio foi um prelúdio do que se viveu nas horas seguintes na cidade sitiada de Chernihiv, 150 quilómetros a norte de Kiev. Ali, as tropas russas estão a matar civis de forma deliberada.