Expresso

Estado admite comprar helicópteros com 35 anos para combate a fogos

24 fevereiro 2022 23:32

Foto: Getty Images

Concurso “Sucata”, dizem os críticos. A Força Aérea justifica que os helicópteros dos fogos já têm 44 anos e não vê problema em comprar outros com mais de 30

24 fevereiro 2022 23:32

Em dezembro, a Força Aérea Portuguesa (FAP) lançou um concurso para a compra de 12 helicópteros (seis médios e seis ligeiros), para combate a fogos, pelos quais o Estado poderá pagar um valor máximo de €69,3 milhões, mas esta despesa não deve servir para Portugal receber aeronaves novas e a estrear: o caderno de encargos admite a aquisição de helicópteros médios com o máximo de 35 anos e de ligeiros com o máximo de cinco anos. São vários os especialistas em helicópteros militares a dizerem ao Expresso que o Estado se arrisca a comprar “sucata” e a gastar dinheiro em vão, como aconteceu com os helicópteros pesados russos Kamov. Outras fontes, de militares no ativo, desvalorizam as críticas e argumentam no sentido de que a ‘carcaça’ do helicóptero pode ser antiga, mas a aeronave deve estar modernizada.

Terá havido dois critérios na base desta decisão, segundo foi possível apurar junto de fontes políticas e militares: primeiro, mesmo sendo uma grande despesa, este orçamento não chegaria para comprar helicópteros novos; segundo, seria difícil garantir um prazo de entregas apertado, até 2026, com meios frescos saídos da fábrica. A decisão para realizar esta compra enquadra-se na passagem para a Força Aérea dos meios de combate a fogos, o chamado Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR). Trata-se de vários concursos, que o Governo estabeleceu ainda em março de 2021 e que são da responsabilidade da Força Aérea: um para os helicópteros médios, outro para os helis ligeiros, e um terceiro concurso para contratar os serviços de uma empresa privada que continue a operar os meios do Estado de combate a fogos até 2026, como tem acontecido até agora. Além dos helicópteros, o Governo ainda prevê a compra de dois aviões pesados de combate a fogos, tipo Canadair. Estas aquisições serão financiadas por verbas europeias do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo programa RescUE.

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