Autárquicas 2021

"Macacos me mordam". Costa promete usar a "bazuca" sem "corrupção" e responde a críticos: "O PRR não é do PS"

14 setembro 2021 23:30

tiago petinga/lusa

António Costa foi piscar o olho aos empresários e pediu-lhes que "não dêem ouvidos" aos que dizem que o PRR é só para "o Estado gastar consigo próprio"

14 setembro 2021 23:30

António Costa foi esta terça-feira à noite a Aveiro, um dos três concelhos do país em que o PS concorre coligado com o PAN e aí, ao apoiar o candidato do partido, Manuel Oliveira de Sousa, voltou a usar o Plano de Recuperação e Resiliência como mote do discurso. Mas desta vez, além de salientar o papel das autarquias, decidiu respondeu aos críticos, sobretudo ao PSD: "Há quem se irrite muito quando falamos do Plano de Recuperação e Resiliência. É preciso que não se irritem", começou por dizer.

Nas últimas semanas, os sociais-democratas - bem como Jerónimo de Sousa - têm criticado António Costa por andar a vender a "bazuca" pelo país e Costa respondeu-lhes: "Não é um plano do PS, não é do PS e do PAN, é do país e está disponível para todos os portugueses e portuguesas e para as empresas, universidades, IPSS, utilizarem esses recursos", disse.

Num distrito virado para a indústria e onde o PS aposta em roubar a presidência da câmara ao social-democrata Ribau Esteves, o secretário-geral socialista falou para os empresários, sempre com o PRR no bolso: "Num distrito empreendedor como este, é bom que as empresas não dêem ouvidos àqueles que dizem que é só para o Estado gastar consigo próprio porque senão perdem a oportunidade dos fundos exclusivamente para as empresas", disse. "Macacos me mordam se não somos capazes de ir buscar não só o que já decidimos, como os mais 2.300 milhões de euros que podemos ir buscar", de empréstimo.

O adicional em forma de empréstimo que é possível ir buscar para as empresas foi uma tranche alcançada no final das negociações com Bruxelas e depois de PSD e de o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, terem criticado a opção do Governo. Outra das críticas que se ouviu de Belém, que pode também ser entendida como pressão, prendeu-se com a forma como o dinheiro é usado e, neste ponto, o socialista, que falou mais como primeiro-ministro do que como secretário-geral do PS, prometeu esta noite que a utilização da "bazuca" não terá sombra de corrupção: "Temos muito pouco tempo para conseguir usar bem, com transparência, sem a menor suspeita de corrupção as verbas que nos são disponibilizadas", disse.

As autarquias serão para isto os parceiros principais e, por isso, Costa foi pedir a mobilização do partido em torno da candidatura autárquica. Mas, não esquecendo o país, foi pedir que os portugueses se superem também agora em tempos de recuperação: "Se fomos excecionais num momento de exceção porque não podemos ser excecionais num momento de normalidade?", questionou.