O presidente do Banco Central Europeu (BCE) afirmou que as "sanções aos países que ultrapassam a meta do défice não foram suficientemente longe".
O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse hoje que as reformas propostas pelos países europeus para reforçar a disciplina orçamental não estão a ir "suficientemente longe", especialmente em termos de automatismo das sanções. O esboço das reformas a que os países da União Europeia chegaram a acordo em Bruxelas, na semana passada, "representam um reforço do quadro existente" mas "não vai suficientemente longe", disse Trichet, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores do BCE. Nessa reunião, o banco central decidiu manter a sua principal taxa diretora em um por cento pelo 18.º mês consecutivo.
Automatismo das sanções
Trichet afirmou ainda que está "preocupado com a falta de um mecanismo suficientemente automático" que sancione os países que ultrapassam os limites do défice fixado por Bruxelas. O BCE é "favorável a uma condicionalidade muito forte, para evitar um mecanismo de apoio permanente que incentive políticas fiscais laxistas", acrescentou. Jean-Claude Trichet disse ainda que o seu discurso na reunião da semana passada dos chefes de Estado e de Governo, em Bruxelas, foi "bastante curto", não se adiantando sobre o conteúdo.