Trabalho

Easyjet: "Tivemos trabalhadores a viver dentro de carros", diz sindicalista

Easyjet: "Tivemos trabalhadores a viver dentro de carros", diz sindicalista
PETER NICHOLLS/REUTERS

Trabalhadores a viver em carros, vencimentos errados com menos de 50 euros recebidos, horários trocados e disparidade salarial são algumas das condições de trabalho na Easyjet, segundo denunciou o sindicato SNPVAC no Parlamento

Alguns trabalhadores da Easyjet em Faro chegaram a viver dentro de um carro devido às más condições de trabalho, segundo revelou Ana Dias, diretora do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), em declarações no Parlamento, na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, esta quarta-feira. E há trabalhadores que, devido a erros administrativos, receberam ao final do mês nem 50 euros.

“Os nossos trabalhadores em Faro passam grandes dificuldades. Tivemos trabalhadores a viver em carros. Quase todos os nossos trabalhadores de Faro têm de ter um segundo ou terceiro trabalho, vão cansados, o que pode comprometer a segurança do voo”, revelou a sindicalista.

As condições podem ser piores em Faro, mas no geral os trabalhadores da Easyjet em Portugal sentem-se discriminados. Foi, aliás, um dos motivos que levaram ao último pré-aviso de greve. Segundo o que foi referido esta quarta-feira por Ana Dias, os trabalhadores da companhia aérea de baixo custo em Portugal ganham, em média, “menos 60%” que os restantes colegas da empresa noutros países.

O que o sindicato quer é que o “aumento [salarial] pelo menos acompanhe o crescimento da Easyjet em Portugal”, que, inclusive, passou em Lisboa a ter espaço no terminal 1 (o principal do aeroporto Humberto Delgado) com a compra de alguns slots da TAP.

O maior problema, que ficou evidenciado pelas palavras da sindicalista, é as condições serem más há muito tempo. Apesar de ter havido melhorias no final da década passada, tudo ficou congelado com a chegada da pandemia.

“Em fevereiro de 2020, quando estávamos a negociar um novo acordo de empresa, obviamente com a pandemia suspendemos as negociações, mas fomos dos poucos países que o fizeram e em outubro fomos chamados pela empresa para negociar o acordo de emergência. Aí, fomos confrontados com duas situações: despedimento coletivo ou congelamento das nossas condições de trabalho”, contou Ana Dias.

“Como é óbvio, aceitámos esta proposta [congelamento] em vez de um despedimento coletivo”, afirmou.

Erros levam trabalhadores a receber menos de 50 euros

De acordo com o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, os erros administrativos em relação às folhas de pagamentos são constantes, o que considera “inadmissível”. Aliás, contou que um recibo chegou com apenas 36 euros - “como se vive com 36 euros?”, questionou.

Ana Dias disse que desde 2015 que o sindicato tenta resolver o problema de processamento de salários e, mesmo depois de a equipa desta área ter aumentando “os erros persistem”. “Em dezembro houve mais de 100 queixas. E tenho um exemplo ainda pior deste mês, um colega recebeu 8,02 euros devido a um erro de processamento”, contou.

“A ACT não consegue intervir, infelizmente”, pois há outros processos prioritários, reconheceu a sindicalista.

“Eles têm dinheiro para greves. Só começam a negociar após uma segunda ou terceira greve, quando percebem que os trabalhadores não vão deixar de lutar”, declarou, por fim.

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