Trabalho

Desemprego registado nos centros de emprego voltou a aumentar em dezembro

23 janeiro 2023 10:47

tiago miranda

O número de inscritos nos centros do IEFP aumentou no último mês do ano 3,5% face a novembro para 307 mil. Ainda assim, na comparação com o mesmo mês de 2021, continua quase 12% abaixo

23 janeiro 2023 10:47

É o quinto aumento mensal consecutivo, mas o valor mais baixo para um mês de dezembro nos últimos 30 anos. A aumentar em cadeia (face ao mês anterior) desde agosto do ano passado, o número de desempregados inscritos nos serviços públicos de emprego do país voltou a subir em dezembro face a novembro.

O último mês do ano fechou com mais 10.282 (3,5%) pessoas registadas, num total de 307.005. Apesar disso, a comparação homóloga - tendo como referência o mesmo mês de 2021 -, mostra que o ano fechou com menos 40.954 (-11,8%) desempregados registados em Portugal, mostram os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), divulgados esta segunda-feira.

O IEFP justifica a a diminuição do desemprego registado, face ao mês homólogo de 2021, na variação absoluta, com a redução verificada entre “os grupos dos indíviduos que possuem idade igual ou superior a 25 anos (-37 223), os que procuram novo emprego (-37 976) e os inscritos há 12 meses ou mais (-49 351)”.

Madeira conta menos de 10 mil desempregados registados

A análise a nível regional mostra que no mês de dezembro de 2022 o desemprego registado no país, em termos homólogos, diminuiu em todas as regiões, com destaque para a região autónoma da Madeira (-31%) e da região de Lisboa e Vale do Tejo (-14,8%).

No caso específico da Madeira, pela primeira vez em 14 anos o número de desempregados registados nos centros de emprego locais ficou abaixo dos 10 mil. Esta região autónoma destaca-se também pela redução do desemprego registado face ao mês de novembro. A Madeira foi, de resto, a única região do país a registar uma diminuição do número de inscritos nos centros de emprego (-0,3%) em cadeia.

Em sentido inverso, mostram os dados do IEFP, o desemprego registado aumentou nas restantes regiões do país, com destaque para o Algarve, onde o número de inscritos no último mês do ano subiu 22%.

Considerando os grupos profissionais dos desempregados registados no Continente, os mais representativos, por ordem decrescente foram os trabalhadores não qualificados (27%), trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção segurança e vendedores (20,4%), pessoal administrativo (11,4%) e especialistas das atividades intelectuais e científicas (10,4%).

Relativamente ao mês homólogo de 2021 (excluindo os grupos com pouca representatividade, ou significado, no desemprego registado), “quase todos os grupos apresentaram diminuições nas variações homólogas, destacando-se os ”trabalhadores de serviços pessoais,de proteção e segurança e vendedores"(-14,4%) e os "técnicos e profissões de nível intermédio"(-13,8%)", explica o IEFP.

No final de dezembro, os centros de emprego nacionais contabilizavam 11.431 ofertas por preencher. O número corresponde a uma diminuição anual (-4 510; -28,3%) e também a uma redução em cadeia na mesma ordem (-4 503; -28,3%).

Ao longo deste mês de dezembro do ano passado inscreveram-se nos centros de emprego nacionais 44.019 desempregados, mais 4.545 (11,5%) do que no mesmo mês de 2021, mas menos do que os novos inscritos contabilizados em novembro de 22 (-10 329; -19%).

Já no que respeita às ofertas de emprego recebidas ao longo deste mês, o IEFP contabilizou 6786 em todo o país, o que traduz uma redução homóloga de 2284 em termos absolutos (25,2%) e, simultaneamente, um recuo de 1975 (-22,5%) face ao mês anterior. As atividades económicas com maior expressão nas ofertas de emprego recebidas ao longo deste mês foram as atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio" (15,7%), o comércio por grosso e a retalho (15,4%) e a administração pública, educação, atividades de saúde e apoio social"(11,5%).

Dezembro fecha em mínimos de há 30 anos

Pese embora o aumento do desemprego registado em cadeia (ou seja, face a novembro), é preciso recuar três décadas para encontrar no mês de dezembro um valor inferior de desempregados inscritos nos centros de emprego.

Numa nota enviada às redações, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) sinaliza que “o ano de 2022 foi, no geral, o melhor ano em termos de desemprego registado, tendo assinalado, desde março, valores sistematicamente mais baixos do que os valores homólogos de 2019”.

O gabinete de Ana Mendes Godinho aponta ainda que “no desemprego jovem registado, 2022 foi também, no geral, o melhor ano, com valores sistematicamente mais baixos do que os valores homólogos de 2019, exceto nos meses de janeiro e junho”. O valor do desemprego jovem em dezembro de 2022 foi o mais baixo, nesse mês, desde que há registo, uma diminuição em cadeia de -1,6% (-540 jovens), e uma diminuição de -10,3% face a dezembro de 2021 (-3731 jovens).

Em dezembro havia 32.426 jovens em situação de desemprego, 0,5% abaixo do valor de dezembro de 2019 (-154 jovens). O desemprego jovem representa atualmente 10,6% do desemprego registado, que compara com 11% registado no mês homólogo de 2021.

Já o desemprego de longa duração registou uma diminuição de -28,8% face a dezembro de 2021 (-49.351 pessoas). Estavam nesta situação, no passado mês de dezembro, 121.723 pessoas, mais 0,3% do que em novembro de 2022 (+321 pessoas), continuando abaixo (-2,6%) do nível observado no mesmo mês de 2019 (-3252 pessoas).