Vítor Constâncio e Teixeira dos Santos garantem

"Os depósitos estão agora mais seguros do que nunca"

2 novembro 2008 16:42

Isabel Vicente*

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e o Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, garantiram hoje, após a nacionalização do BPN, que os depósitos dos clientes estão seguros.

2 novembro 2008 16:42

Isabel Vicente*

Após o anúncio de nacionalização do BPN, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e o Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, defenderam hoje, em conferência de imprensa, que os depósitos dos clientes do Banco Português de Negócios (BPN) estão "agora mais seguros do que nunca".

No encontro com os jornalistas, Vítor Constâncio revelou que Norberto Rosa e Pedro Cardoso são os dois administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que vão, a partir de amanhã, acompanhar o funcionamento do BPN.

O Governador do Banco de Portugal recordou que se tentou encontrar um parceiro estratégico para o banco mas tal não foi possível, entretanto foram abertos seis processos de contra-ordenação que agravaram ainda mais os problemas de liquidez do BPN tornando inevitável a situação actual.

A integração do BPN na CGD depende de um plano da própria Caixa sobre o banco que irá ditar, depois de recuperado, se vai vender activos ou mesmo a instituição.

Vítor Constâncio adiantou ainda que os 700 milhões de euros de perdas se prendem, principalmente, com a operação que o BPN teve em Cabo Verde, no Banco Insular, como o Expresso noticiou há três semanas.

Constâncio sublinhou que só após a saída de José Oliveira e Costa, este ano, é que o Banco de Portugal soube da operação. Dado que até aí tinha sido omitida. "Tratavam-se de operações clandestinas", afirmou Constâncio.

O Governador sublinhou que os problemas do banco se devem a anteriores administrações e que mantém a confiança na actual equipa que administra o banco. "Podíamos suspender os administradores do BPN, mas não o fazemos", frisou.

E sublinhou também, que o BPN foi acompanhado pela CGD e pelo Banco de Portugal com apoios de liquidez.

Confrontado por não ter dado pela situação do BPN mais cedo, Constâncio reafirmou que não há sistemas de prevenção e supervisão infalíveis.

O Estado vai indemnizar os accionistas do banco com o valor actual das acções.

De salientar que esta nacionalização é feita ao BPN SGPS e não abrange a Sociedade Lusa de Negócios. As empresas pertencentes ao grupo ficarão por conta dos seus accionistas.

A decisão tomada hoje pelo Governo português vem na sequência do nacionalizações feitas noutros países para evitar que os depósitos entrem em risco.

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