Tecnologia

Guterres defende mudanças no modelo de negócio das redes sociais

18 janeiro 2023 14:26

jalal morchidi/afp via getty images

"Os modelos de negócio das redes sociais são construídos de uma forma que tendem a expandir as informações, as posições, os ideais mais extremos, mais controversos, que criam mais problemas", afirmou António Guterres no Fórum Económico Mundial

18 janeiro 2023 14:26

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu, esta quarta-feira, que o modelo de negócio das redes sociais tem de ser redesenhado, considerando que o atual promove a difusão de informações falsas e de ideais extremos.

"Os modelos de negócio das redes sociais são construídos de uma forma que tendem a expandir as informações, as posições, os ideais mais extremos, mais controversos, que criam mais problemas", afirmou António Guterres no Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, na Suíça.

"A solução não passa pela censura, mas por redesenhar o modelo de negócio e por redesenhar os algoritmos para que o lucro não tenha como base o mal", defendeu o secretário-geral das Nações Unidas.

Lamentando que as plataformas das redes sociais não sejam responsabilizadas por aquilo que é difundido, Guterres defendeu que, tal como acontece na comunicação social tradicional, as empresas devem passar a responder por aquilo que é divulgado.

"Nos 'media' tradicionais, se uma pessoa for atacada erradamente há a possibilidade de ir a tribunal. Nas redes sociais não há responsabilização", referiu.

Embora o secretário-geral da ONU admita entender o argumento das empresas de redes sociais, "que dizem que [a informação] é colocada pelas pessoas e por isso não podem ser responsabilizadas", Guterres sublinhou que "os algoritmos estão feitos de forma a amplificar certos temas" de forma preferencial.

"Quando o algoritmo amplifica, há uma responsabilidade e deve haver responsabilização, incluindo legal", defendeu, acrescentando que isso é mais premente ainda quando se trata de "falsa informação ou difamação".

Ainda assim, o líder da ONU considerou que as redes sociais permitem "contribuições fantásticas para as causas humanitárias mais nobres".

O problema, disse, é que o modelo de negócio se baseia no objetivo de "ter o maior número de interações possível e chegar ao maior número de pessoas possível".

Os líderes mundiais de vários países estão reunidos em Davos desde terça-feira para o 53º Fórum Económico Mundial, onde, até sábado, serão debatidos temas das áreas de economia e ambiente.