Energia

Portugal longe de cumprir redução de consumo de eletricidade aprovada pela UE no quadro da crise energética

Portugal longe de cumprir redução de consumo de eletricidade aprovada pela UE no quadro da crise energética
By Eve Livesey/Getty Images

Em outubro a União Europeia acordou trabalhar para reduzir em 10% o consumo de eletricidade neste inverno. Mas no período de novembro a janeiro a redução conseguida em Portugal foi de apenas 0,5%

Os números de Portugal no que diz respeito ao consumo de eletricidade estão longe dos objetivos de redução da procura que os Estados-membros da União Europeia (UE) acordaram no regulamento de outubro que elencou um conjunto de iniciativas para fazer face aos elevados preços da energia.

O mais recente relatório de avaliação da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) indica que no período de novembro a janeiro Portugal consumiu menos 69 gigawatt hora (GWh) do que no período de referência (a média dos cinco anos anteriores), ou seja, uma redução de somente 0,51%.

Ora, o regulamento publicado em outubro estipulava que os países europeus procurariam “aplicar medidas destinadas a reduzir o seu consumo bruto mensal total de eletricidade em 10% em comparação com a média do consumo bruto de eletricidade nos meses correspondentes do período de referência”. Esse período incide sobre os meses de novembro a março.

Uma outra meta desse regulamento passava por reduzir em 5% o consumo de eletricidade nos períodos de ponta (as horas de maior procura do dia). Também aí Portugal está aquém do compromisso.

Segundo a DGEG, a redução de consumo de eletricidade nas horas de ponta em Portugal (foi definido o período das 18h às 21h30) foi de 4,37%.

No seu relatório a DGEG informa ainda a Comissão Europeia sobre a iniciativa que Portugal tomou para limitar os ganhos dos produtores de eletricidade.

Recorde-se que os Estados-membros tinham acordado na limitação das receitas da produção de eletricidade aos 180 euros por megawatt hora (MWh), num momento em que Portugal e Espanha já tinham em marcha o mecanismo ibérico para limitar o impacto dos preços do gás natural no mercado grossista de eletricidade.

De junho até final de dezembro o mecanismo ibérico proporcionou a Portugal benefícios líquidos de 489,4 milhões de euros (valor já avançado em janeiro pelo ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro), acima da expectativa que o Governo tinha, de que o mecanismo, nesse horizonte temporal, gerasse benefícios de 422,9 milhões de euros.

O relatório apresentado pela DGEG também deu conta de que até ao momento foram desenvolvidas campanhas de sensibilização sobre a necessidade de redução do consumo de eletricidade que abrangeram cerca de 29 mil pessoas.

Apesar de estar aquém das metas na redução do consumo de eletricidade, Portugal está acima dos objetivos no que toca à procura de gás natural.

No que respeita ao gás o país tinha assumido um compromisso de redução de 7% face ao período de referência (beneficiando de condições especiais face ao compromisso geral na UE de um corte de 15%).

Os dados da Adene - Agência para a Energia indicam que entre agosto e novembro de 2022 o país contabilizava uma redução de 11,5% face à média de igual período dos últimos cinco anos.

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