Bolsa e Mercados

JP Morgan estava convencido de que tinha níquel em Roterdão... mas afinal eram sacos de pedras

JP Morgan estava convencido de que tinha níquel em Roterdão... mas afinal eram sacos de pedras
Dean Mouhtaropoulos/Getty Images

Num armazém certificado pela bolsa de metais de Londres foram encontrados sacos de pedras em reservas de níquel do banco norte-americano JP Morgan

A London Metal Exchange (LME), a bolsa de metais de Londres e a maior do mundo em volume de negociação, descobriu recentemente sacos de pedras no stock de reservas de níquel armazenadas no porto de Roterdão, nos Países Baixos, pertencentes ao banco norte-americano JP Morgan.

No stock de reservas a seu cargo, a LME detetou pedras sem valor naquilo que deveriam ser 54 toneladas de níquel a seu cargo. Segundo a Bloomberg, o alerta foi dado quando se detetaram pedras em entregas de níquel provenientes desse armazém de Roterdão, parte da rede de armazenamento com selo de qualidade da LME. Estas reservas tinha sido alvo de registo neste armazém desde 2022.

O armazém em questão viu a sua gestão mudar várias vezes nos últimos tempos. Foi propriedade da multinacional mineira Glencore, através da unidade logística Access World, uma das empresas predominantes na gestão de armazéns portuários na cadeia logística de metais. Esta última foi vendida em janeiro à Global Capital Merchants.

O metal armazenado nas instalações registadas junto da bolsa londrina, por ser considerado de tal forma fidedigno, é garantia de liquidez de contratos negociados na LME.

Depois de detetadas as irregularidades, os responsáveis da operadora logística investigaram e encontraram pedras misturadas com níquel onde deviam estar, no total, 54 toneladas deste metal. Estas 54 toneladas - que representariam 0,14% do stock total da LME e que valeriam 1,3 milhões de dólares - eram os ativos subjacentes a nove contratos da bolsa de metais, subsequentemente invalidados, segundo a Bloomberg, num golpe à credibilidade dos contratos da maior praça de metais do mundo.

Na segunda-feira, o Wall Street Journal reportou que o proprietário desse níquel era o banco JP Morgan, que deverá responsabilizar a Access World pelas perdas no níquel a seu cargo.

Este é um novo escândalo na indústria dos metais, depois de o grupo Trafigura, outro dos grandes operadores do mercado de matérias-primas, ter anunciado o desaparecimento de várias cargas de níquel, tendo entregue carregamentos que não continham o metal a vários clientes, segundo o Wall Street Journal. A transportadora incorre agora em perdas superiores a 500 milhões de dólares.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: piquete@expresso.impresa.pt

Comentários

Assine e junte-se ao novo fórum de comentários

Conheça a opinião de outros assinantes do Expresso e as respostas dos nossos jornalistas. Exclusivo para assinantes

Já é Assinante?
Comprou o Expresso?Insira o código presente na Revista E para se juntar ao debate
+ Vistas