Economia

Economista-chefe do UBS diz que já "ninguém quer saber" do que afirma Lagarde

24 janeiro 2023 11:40

wolfgang rattay/reuters

“Lagarde fala. Outra vez. Ninguém quer saber. Outra vez” é o nome da newsletter desta terça-feira do economista-chefe de gestão de fortunas do banco UBS, criticando a frequência dos discursos da presidente do BCE

24 janeiro 2023 11:40

Christine Lagarde vai discursar esta terça-feira, através de uma mensagem gravada em vídeo, na conferência “Croácia, o 20.º membro da zona euro”, a decorrer em Zagreb, sob o tema “O euro como garantia de resiliência”, de acordo com a agenda do Banco Central Europeu (BCE).

E está é, segundo o economista-chefe da divisão global de gestão de fortunas do banco suíço UBS, o quarto dia útil seguido em que a presidente do BCE fala publicamente. Paul Donovan contou as intervenções. E manifestou a sua opinião esta manhã numa nota enviada por email pelo banco aos subscritores e assinada por si.

“Lagarde, presidente do BCE, fala hoje. Para quem está a contar, este será o quarto dia consecutivo de comentários por Lagarde. É quase como se Lagarde fosse um político candidato a um cargo, e menos um banqueiro central a tentar informar os mercados”, disse Donovan na sua nota matinal intitulada “Lagarde fala. Outra vez. Ninguém quer saber. Outra vez”.

“Só Deus sabe qual será a suposta audiência destes comentários”, concluiu. Na quinta-feira passada, Lagarde participou numa mesa redonda em Davos, aquando do encerramento do Fórum Económico Mundial. Na agenda do BCE, consta a intervenção que Lagarde fez na sexta-feira, no encerramento desse evento, noutra mesa redonda; e um discurso, na segunda-feira, enunciado num evento da gestora bolsista alemã, a Deutsche Börse.

Para a transmissão mais eficaz das decisões de política monetária, os seus responsáveis usam intervenções públicas para explicar eventuais medidas tomadas pelos bancos centrais. Os discursos costumam ser seguidos com atenção pelos decisores políticos, investidores, e outros participantes de mercado, e escrutinados em busca de orientações futuras sobre o rumo a médio-prazo da política monetária do banco.

Os responsáveis conhecem o poder que as suas palavras têm de movimentar os mercados; e escolhem criteriosamente as ideias destas intervenções e o vocabulário usado para transmiti-las. Uma eventual escassez de intervenções públicas é, também, uma forma de dar mais peso às indicações transmitidas.