Economia

O Hospital do Oeste é uma nova oportunidade para a Linha do Oeste

Hugo Oliveira

Hugo Oliveira

Deputado (PSD)

20 janeiro 2023 10:50

Ter um hospital à beira de uma linha ferroviária eletrificada constitui um centro emissor e recetor de muito tráfego de passageiros - bastando para isso que, "num investimento bastante residual, se construa um apeadeiro na sua frente", defende o deputado do PSD Hugo Oliveira

20 janeiro 2023 10:50

A saúde no oeste tem vindo a degradar-se ao longo das ultimas décadas, muito por força da falta de condições físicas nos hospitais das Caldas da Rainha, Peniche e Torres Vedras, visto que os profissionais têm feito um esforço herculiano para garantir os serviços mínimos aos utentes destes equipamentos obsoletos.

Quando o Governo (na altura do PSD) decidiu agregar o Centro Hospitalar do Oeste Norte e o Centro Hospitalar do Oeste Sul tinha por base um claro objetivo de otimização que, no entanto, se revelou numa grande dificuldade operacional na resposta aos utentes.

Tenho por hábito que o reconhecimento humilde de uma má opção não deve diminuir uma posição futuramente tomada e por conseguinte permitir uma visão mais esclarecida para o futuro.

O racional que preside à criação de um Hospital do Oeste faz claramente sucumbir a teoria da criação de dois “hospitaizinhos” que não salvaguardariam uma saúde condigna aos oestinos.

Senão vejamos, um Hospital central no Oeste com todas as especialidades e profissionais permitirá garantir o acesso mais célere com ganhos substanciais e eficientes como hospital diferenciado.

O governo numa tentativa de desresponsabilização e de fácil transposição da assunção da responsabilidade aos atores locais solicitou entendimento dos autarcas da região pela via da CIM Oeste que com o “menino nas mãos” encomendou um estudo para a definição da futura localização do referido equipamento.

O estudo elaborado pela academia está “ferido”, não pela sua competência mas pelos pressupostos que originaram o caderno de encargos para a adjudicação do mesmo.

As variáveis que deveriam ser as premissas do estudo estão ausentes e não permitem que este seja verdadeiramente um instrumento que auxilie a tomada de decisão.

Em primeiro lugar, a construção de um novo hospital tem de ter em consideração não somente as distâncias, quer seja entre os limites da abrangência ou dos quilómetros a percorrer até ao mesmo, mas também fatores tão importantes como as necessárias condições para acolherem os que la trabalham. Se não vejamos, um profissional tem de ter acesso a coisas tão básicas quanto a capacidade instalada de habitação, acesso à educação dos seus filhos desde o pré escolar passando pelo básico até ao secundário, infraestruturas desportivas e culturais entre muitas mais.

Acresce que a necessidade bem sinalizada de um Hospital do Oeste e no que diz respeito à sua localização deve ter em conta aí sim a distância que terá de outros equipamentos similares e a abrangência destes.

Também não menos importante, a necessidade de aliviar a carga atual existente no Hospital de Leiria que está com número de utentes bem acima do programado . O que significaria ter concelhos a norte das caldas a “drenar” para o novo Hospital do Oeste e até recentrar o ponto nevrálgico do estudo até aqui apresentado.

O Ministro da Saúde veio agora apontar para uma decisão no final deste trimestre. mas de seguida cria um grupo de trabalho para sustentar a sua decisão.

Lamentável porventura é a escolha da liderança desse mesmo grupo de trabalho entregue a uma ex-governante e com ligação clara a um dos territórios que supostamente disputa a localização. “Inclinando e ferindo” claramente uma eventual posição. E digo supostamente, porque com todo o respeito pelo referido concelho (e que tenho muito), este está a uma curta distancia de dois grande hospitais o que tornaria essa opção se escolhida numa má decisão.

Como base nos pressupostos aqui apresentados e despindo a qualidade de Caldense, fazendo aqui declaração de interesse, é fácil depreender que a localização que mais atenta aos interesses dos utentes da região é a que se situa entre os concelhos de Óbidos e das Caldas da Rainha.

Acresce que sendo esta localização muito bem servida de comunicações viárias a norte, sul e a este, tem uma particularidade que a torna ainda mais “forte”: a proximidade ao traçado da Linha do Oeste!

Numa altura que decorrem obras de requalificação da Linha do Oeste, e embora estas deixem muito a desejar no que diz respeito aos ganhos de velocidade e diminuição dos tempos de percurso, a modernização desta importante via férrea é uma realidade que não pode nem deve ser escamoteada. Por isso, a construção do Hospital do Oeste deve tirar partido de melhores ligações ferroviárias. Ora este argumento reforça tudo o aqui exposto sobre o claro posicionamento que esta localização deve ter no contexto regional porque a localização proposta entre Óbidos e Caldas fica precisamente ao lado da via férrea, com evidentes ganhos em termos de acessibilidades para os utentes e para os profissionais de saúde.

Um hospital à beira da uma linha eletrificada constitui um centro emissor e recetor de muito tráfego de passageiros, bastando que, num investimento bastante residual, se construa um apeadeiro na sua frente. Se queremos cumprir com os compromissos internacionais para a descarbonização, temos de pensar bem as acessibilidades e não colocar um novo hospital apenas dependente do transporte rodoviário.

Mas ainda que com o novo Hospital do Oeste no horizonte, não posso deixar de confessar que sinto arrepios cada vez que oiço um governante, como ouvi há bem pouco tempo, dizer que até ao novo hospital não haverá mais investimentos nos atuais. A construção de um novo equipamento não terá um prazo de meses pelo que cada mês será sempre um arrastar de problemas que em alguns casos poderá ser fatal. Assim e de acordo com o próximo plano diretor do centro hospitalar do oeste julgo que a tutela deverá desenvolver esforços para garantir os investimentos necessários no período intermédio de existirá até ao novo hospital, pela saúde dos oestinos e de quem nos visita.

Importante será dizer que as condicionantes politico partidárias não podem nem devem sobrepor-se aos interesses das populações, há forças de bloqueio, há “lobby’s” instalados em partidos com poder de decisão, há o caso de a Câmara das Caldas da Rainha ser liderado por um movimento o que lhe retira força política e capacidade negocial, mas que não nos deve coartar a iniciativa de em conjunto com as forças vivas da região e dos partidos lutar em primeiro por um Hospital no Oeste e pela sua localização entre Óbidos e as Caldas da Rainha.

Mas para que este caminho tenha sucesso exorto a população a juntar-se em torno deste desígnio pelo que ele significa para a região e para as Caldas da Rainha, concelho com pergaminhos na Saúde em Portugal.