Economia

Alemanha cresceu 1,9% em 2022 e evitou crise no último trimestre

13 janeiro 2023 10:11

Olaf Scholz

kay nietfeld / getty images

A maior economia do euro sofreu uma forte desaceleração do crescimento em 2022, com o PIB a crescer 1,9%, avançou esta sexta-feira o Destatis, o instituto de estatística alemão. A estimativa para o quarto trimestre ainda não foi divulgada, mas a Alemanha deve ter escapado a uma contração no final do ano

13 janeiro 2023 10:11

A Alemanha cresceu 1,9% em 2022, segundo a estimativa avançada esta quinta-feira pelo Destatis, o instituto federal de estatísticas. A estimativa oficial para o conjunto do ano passado ficou acima das mais recentes previsões da Comissão Europeia, que apontavam para um crescimento mais fraco, de 1,6%. Trata-se do crescimento, em termos reais, ajustado pela alta inflação.

Em termos nominais, o Produto Interno Bruto (PIB) engordou para 3,9 biliões de euros em 2022, um aumento de 400 mil milhões em relação a 2019, o ano anterior à pandemia. Já em 2021, a Alemanha tinha conseguido digerir plenamente a recessão de 3,7% no ano do choque da pandemia em 2020, com o PIB já acima do registado em 2019.

O crescimento acima das expetativas deveu-se ao facto de a maior economia do euro, governada pelo chanceler Olaf Scholz, ter escapado a uma contração nos últimos três meses de 2022. O Destatis ainda não divulgou a estimativa de crescimento para o quarto trimestre do ano passado, mas os analistas admitem que a economia germânica escapou a uma contração entre outubro e dezembro.

A economia alemã esteve a desacelerar ao longo de 2022. Tendo iniciado o ano com uma recuperação de 3,6% no primeiro trimestre, o choque provocado pela invasão da Ucrânia desde 2 de fevereiro repercutiu-se nos dois trimestres seguintes, com o crescimento a baixar de ritmo, para 1,6% e 1,3%. No último trimestre, a economia deve ter entrado em estagnação (no crescimento em cadeia, de um trimestre para o seguinte) e crescido menos de 1% em termos homólogos, ou seja, em relação a igual período do ano anterior.

Os analistas pontam três razões para o melhor desempenho alemão em relação ao previsto: um inverno menos rigoroso do que o esperado, a ‘almofada’ conseguida em termos de gás e o pacote governamental de 200 mil milhões de euros

O crescimento perto de 2% augura que a recessão prevista para 2023 venha a ser inferior às previsões mais pessimistas. A Comissão Europeia prevê uma contração de 0,6% este ano, mas o instituto alemão IFO já avançou com um recuo ligeiro de 0,1%.

Apesar de ser a maior economia do euro, e tradicionalmente o seu ‘motor’, a Alemanha terá crescido em 2022 abaixo da média da zona euro, que Bruxelas prevê em 3,2%.