Economia

Zona euro entra em estagnação este ano, prevê o Banco Mundial

10 janeiro 2023 15:27

ralph orlowski

O crescimento económico na zona euro desacelera brutalmente em 2023 caindo em estagnação, segundo as previsões do Banco Mundial no Global Economic Prospects publicado esta terça-feira

10 janeiro 2023 15:27

A economia da zona euro não entra em recessão, mas estagna (não cresce, nem contrai) em 2023, segundo as previsões do Banco Mundial, publicadas esta terça-feira no Global Economic Prospects.

O abrandamento brutal no grupo das economias do euro sucede a um crescimento de 3,3% em 2022, acima da média mundial (2,9%), dos Estados Unidos (1,9%), da China (2,7%) e do Japão (1,2%).

O desempenho da zona euro previsto para 2023 é o pior nas grandes economias, excluindo a Rússia, que prolonga a recessão iniciada com a invasão da Ucrânia, acumulando uma contração de quase 7% em 2022 e 2023.

O Banco Mundial prevê que a economia mundial abrande para um crescimento de 1,7% em 2023, depois de registar 2,9% em 2022. Excluindo os anos de recessão de 2009 e 2020, será o pior ritmo de crescimento em 32 anos, desde 1991 (1,5%).

Tendo em conta os riscos que persistem (austeridade monetária superior à projetada, agravamento geopolítico e incerteza sobre a China), os economistas do Banco Mundial avançaram com dois cenários alternativos, mais pessimistas para 2023.

Num deles, o crescimento mundial abranda ainda mais, para 1,3%, e no outro derrapa para 0,6%, com o PIB per capita a encolher 0,3%. No cenário mais pessimista, as economias desenvolvidas contraem-se 0,5%, entrando, no conjunto, em recessão.

O surto inflacionista deverá abrandar, com a variação de preços à escala mundial a desacelerar de 7,6% em 2022 para 5,2% em 2023 e 3,2% em 2024. Apesar da trajetória descendente, a inflação mundial em 2024 ainda estará acima claramente da média entre 2015 e 2019. Ainda segunda as previsões do Banco Mundial, a inflação terá acelerado de 1,9% em 2020, para 3,5% em 2021 e 7,6% em 2022, a mais alta desde 2008 (8,9%).

No grupo das grandes economias, a Índia destaca-se com um crescimento médio acima de 6% entre 2022 e 2024, muito acima da China, que fica marcada por crescer em 2022 menos do que a economia mundial (o que já tinha chamada a atenção a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional) e por só voltar a um ritmo de 5% em 2024.