Economia

Goldman Sachs afasta recessão na zona euro este ano e prevê crescimento de 0,6%

10 janeiro 2023 11:14

Foto: Getty Images

O banco Goldman Sachs prevê que a zona euro cresça este ano, revendo em alta as suas perspetivas, que antes apontavam para uma recessão

10 janeiro 2023 11:14

O desempenho económico da zona euro este ano deverá ser melhor do que o previsto, estando afastada a possibilidade de uma recessão graças à queda dos preços do gás e à reabertura da economia chinesa, de acordo com os analistas do Goldman Sachs.

Na nota de research divulgada esta terça-feira, 10 de janeiro, o banco de investimento revê em alta a previsão para 2023 na zona euro, antecipando um crescimento de 0,6% para as economias da moeda única, face à previsão anterior, que apontava para uma recessão de 0,1%.

Para os analistas, está afastada a possibilidade de uma recessão, apesar de anteciparem que “o crescimento da zona euro será fraco nos meses de inverno dada a crise energética”. O crescimento em 2023 “reflete a tendência de crescimento mais resiliente do final do ano passado, preços do gás natural muito mais baixos e a reabertura antecipada da China”.

Os analistas preveem “um crescimento menor na Alemanha e na Itália (que são mais dependentes de atividade industrial intensiva em energia) do que em França e Espanha (que têm fontes de energia mais diversificadas e relativamente mais intensivas no setor dos serviços)”, lê-se na nota.

“Os mercados laborais têm continuado resilientes e só prevemos um pequeno aumento na taxa de desemprego geral durante os meses de inverno”, antecipam os analistas.

Em relação à massa salarial na zona euro, numa altura em que as pressões aumentam para a reposição do poder de compra aos trabalhadores, “prevemos que o crescimento dos salários acelere claramente de 3,6% no terceiro trimestre para quase 5% no primeiro trimestre” de 2023.

Já a taxa de inflação “passou o pico” graças à queda dos preços da energia e deverá fechar o ano 2023 nos 3,25%, uma melhoria face à previsão anterior de 4,5%.

“Esperamos que a inflação subjacente abrande devido ao arrefecimento dos preços dos bens, mas antecipamos pressão ascendente continuada na inflação dos serviços devido ao aumento do custo do trabalho”, dizem os analistas do Goldman Sachs. A taxa de inflação subjacente deverá, mesmo assim, abrandar gradualmente para os 3,3% até ao final de 2023.

O Goldman Sachs prevê ainda que o Banco Central Europeu (BCE) volte a contrair de forma significativa a sua política monetária nos próximos meses, classificando como “muito prováveis” aumentos de 50 pontos-base cada nas reuniões de fevereiro e março. Seguir-se-á um abrandamento do ritmo de subida para os 25 pontos-base, até parar nos 3,25% em maio.

“As perspetivas de crescimento mais firmes reforçam a nossa visão de que é improvável que o BCE comece a cortar as taxas pouco tempo depois disso”, defendem os analistas. “Não prevemos o primeiro corte até ao quarto trimestre de 2024”, acrescentam.