Economia

Novo Banco apresenta em 2023 lucro que o BES nunca reportou este século

6 janeiro 2023 11:10

ana baiao

O Novo Banco prepara-se para reportar o segundo ano consecutivo de resultados positivos, o que não quer dizer que não possa vir a receber dinheiro do Fundo de Resolução devido aos diferendos em discussão nos tribunais

6 janeiro 2023 11:10

O Novo Banco deverá ter registado um lucro de 570 milhões de euros no final de 2022, um número que, segundo as projeções da instituição financeira, vai disparar para 800 milhões de euros em 2023, segundo noticiou esta sexta-feira, 6 de janeiro, o Jornal Económico.

O resultado do ano passado só será divulgado em março, mas o jornal antecipa os números provisórios que confirmam o segundo ano consecutivo de lucros. Até ao fim de setembro, o banco detido pela Lone Star atingiu um lucro de 428 milhões de euros, pelo que haverá ainda uma melhoria no último trimestre do ano.

Os 570 milhões de euros divulgados pelo Jornal Económico comparam com o lucro de 184,5 milhões de euros que o banco resultante da resolução do Banco Espírito Santo (BES) obteve em 2021.

Este lucro antecipado para 2022 praticamente iguala o resultado líquido de 572 milhões de euros que o BES de Ricardo Salgado apresentou em 2009. Mas olhando para a projeção de lucro de 800 milhões de euros chega-se a um valor que o BES nunca apresentou desde 2000, os valores a que é possível recuar no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O mais elevado foi em 2007 e cifrou-se em 600 milhões de euros.

Contactada pelo Expresso, a assessoria do Novo Banco remeteu para a resposta ao Jornal Económico: “O Novobanco é uma entidade com responsabilidades regulamentares e como tal não comentamos especulações. Podemos, no entanto, comentar que, fruto da reestruturação, o Novo Banco é ao dia de hoje um banco focado no mercado doméstico, um banco sólido e lucrativo, como já demonstrado no ano de 2021 e nas contas dos nove meses de 2022”.

O facto de apresentar resultados positivos, por contribuírem para o reforço dos rácios de capital, limita os pedidos de ajuda ao Fundo de Resolução, mas não tira a hipótese de este veículo voltar a ter de capitalizar o Novo Banco. Isto porque há diferendos relativamente a pedidos feitos anteriormente pelo banco que o Fundo recusou e que estão a ser discutidos nos tribunais (judiciais e arbitrais) e que ascendem a mais de 400 milhões de euros.

É precisamente uma verba de 450 milhões de euros aquela que o Novo Banco pode ainda pedir ao Fundo de Resolução por via do mecanismo que foi criado em 2017, na venda à Lone Star, e que tinha um teto de 3,89 mil milhões de euros.

O presidente do Fundo, Luís Máximo dos Santos, já disse que não antecipa que, seja qual for o cenário sobre os diferendos, seja preciso pedir empréstimos ao Estado, como fez até aqui.

Pelo meio, já terminou 2023 e a Comissão Europeia ainda não deu o seu aval ao fim do plano de reestruturação iniciado em 2017 e que devia ter terminado em 2021. O Novo Banco falhou duas métricas, e passou todo o ano passado a tentar convencer dos méritos da sua reestruturação, mas sem sucesso até ao momento.

De qualquer forma, a mudança acionista está em cima da mesa, com a gestão de Mark Bourke a abrir as portas a uma preferência pela colocação em bolsa de parte do capital - mas podendo haver venda direta igualmente. A Lone Star tem 75% do capital, o Fundo de Resolução é dono de 19%, enquanto o Estado já tem cerca de 6%.