Economia

Banca: rácio de malparado cai para 3,2% e rentabilidade subiu em setembro

29 dezembro 2022 16:54

Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno. Foto Ana Baião

ana baiao

Indicadores do conjunto do sistema bancário apontam para melhorias. Rácio de malparado cai, rentabilidade do capital próprio sobe e solvabilidade melhora

29 dezembro 2022 16:54

O incumprimento dos créditos junto da banca tem diminuído e, por isso, no terceiro trimestre do corrente ano o rácio de empréstimos não produtivos bruto (NPL) também caiu 0,2 pontos percentuais para 3,2%.

Para isso contribuiu, no período em análise, a redução dos créditos não produtivos em 5%, sublinha o supervisor, liderado por Mário Centeno.

Dados do Banco de Portugal sobre a evolução do sistema bancário dão nota de que o rácio líquido de imparidades se situou em 1,5% o que corresponde a uma queda marginal de 0,1 pontos percentuais.

Por segmento, o rácio de malparado das empresas caiu 0,4 pontos percentuais para 7,2% e o rácio de malparado dos particulares registou uma redução menor de 0,1 pontos percentuais para 2,5%, revelam os dados do sistema bancário até setembro.

Rentabilidade em 8,3%

A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) no conjunto do sistema subiu entre janeiro e setembro para 8,3%, mais 2,9 pontos percentuais do que em igual período de 2021. Este indicador, para medir a capacidade da banca remunerar os acionistas, durante a pandemia caiu, mas está de novo a recuperar.

Também a rentabilidade do ativo (ROA) melhorou , situando-se em 0,66%, ou seja mais 0,2 pontos percentuais do que em igual período de 2021.

O Banco de Portugal sublinha que “a evolução da rendibilidade refletiu a diminuição das provisões e imparidades (contributo de +0,22 pp para o ROA) e o aumento da margem financeira (contributo de +0,19 pp para o ROA)”.

Com contributo positivo para as contas da banca está também a redução do custo de risco de crédito que caiu 0,16 pontos percentuais para 0,22%.

O rácio cost-to-income do sistema “diminuiu 3,4 pontos percentuais face ao período homólogo, situando-se em 49,9%”, o que se refletiu, diz o supervisor bancário, no "aumento do produto bancário - em menos 5,3 pontos percentuais- que superou o dos custos operacionais (contributo de mais 1,8 pontos percentuais).

Os indicadores até setembro revelam ainda uma redução dos rácios de solvabilidade tendo em conta a o não aumento de exposição ao risco.

“Os rácios de fundos próprios totais e de fundos próprios principais de nível 1 (CET 1) diminuíram 0,4 pontos percentuais, para 17,2% e 14,6%, respetivamente”, refere o Banco de Portugal.

E justifica: “para esta evolução contribuiu maioritariamente a diminuição dos fundos próprios, num quadro de ligeira redução do montante total das exposições em risco”.