Economia

Jovens e asiáticos: os novos clientes de leilões da Christie's, que bateu recordes de venda em 2022

20 dezembro 2022 10:10

'Le spectre de Vermeer de Delft' de Salvador Dali, no leilão do património de Paul Allen

anadolu agency

Jovens millennials e asiáticos, assim são os novos licitadores da leiloeira Christie's. Ainda que comecem por licitar valores mais baixos e produtos menos valiosos, já começaram a entrar no mercado de luxo, escreve o Wall Street Journal

20 dezembro 2022 10:10

A leiloeira Christie's registou vendas de 8,4 mil milhões de dólares em arte este ano, mais 17% do que no ano anterior, uma grande parte devido à venda do património de Paul Allen, co-fundador da Microsoft, e por vários jovens da geração Millennial (nascidos nas décadas de 1980 e 1990), especialmente asiáticos, noticia o “Wall Street Journal”.

Do valor total, 7,2 mil milhões de dólares correspondem a vendas de leilão, mais 33% que em 2021, e 1,2 mil milhões a vendas de arte privadas, menos 29%. Adicionalmente, do valor total, 6,2 mil milhões de dólares corresponde a arte dos séculos XX e XXI este ano, mais 21% do que no ano passado.

De referir ainda que 1,6 mil milhões de dólares, do total, correspondem a vendas feitas do património do co-fundador da Microsoft, Paul Allen.

A rival Sotheby's vendeu 7,7 mil milhões de dólares em 2022, menos 7% do que no ano anterior.

No geral, várias casas de leilões estão a ser impulsionadas por uma tendência de vender objetos colecionáveis da geração Boomer (nascidos entre as décadas de 1940 e 1970) ao mesmo tempo que tentam atrair compradores mais jovens que querem acessórios e artistas contemporâneos da sua própria geração, escreve a “Wall Street Journal”.

Só na Christie's são já cerca de 1200 Millennials que licitam regularmente, ainda que comecem com preços inferiores aos licitadores mais velhos. Apesar da sua influência ser maior em objetivos, na teoria, menos luxuosos e com mais edições, como por exemplo vinho, estão já a expandir-se para fotografia e outro tipo de arte. Segundo a leiloeira, já licitaram ou até ganharam 30% das ofertas de luxo deste ano.

Uma grande fatia destes jovens licitadores são asiáticos (40%). Francis Belin, presidente da Christie's na Ásia, disse que os coleccionadores mais jovens de toda a Ásia estão a afastar-se da arte clássica asiática para se juntarem à caça global de artigos de luxo e arte ocidental. Como resultado, as vendas de arte asiática caíram 20% este ano, em comparação com 2021. No entanto estes novos licitadores tiveram uma elevada relevância na venda do património de Paul Allen, tendo representado 29% do valor total da venda.