Economia

Consumo resistiu e economia portuguesa cresceu 4,9% no terceiro trimestre

Consumo resistiu e economia portuguesa cresceu 4,9% no terceiro trimestre
PATRICIA DE MELO MOREIRA /Getty Images

INE confirma a estimativa publicada no final de outubro: o PIB cresceu 4,9% em termos reais no terceiro trimestre face ao mesmo período de 2021. E avançou 0,4% em relação ao trimestre anterior

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta quarta-feira os números avançados no final de outubro sobre o crescimento da economia portuguesa no terceiro trimestre deste ano: em termos reais, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 4,9% face ao mesmo período do ano passado e 0,4% em relação aos três meses anteriores.

Os 4,9% de crescimento homólogo contabilizados pelo INE representam um abrandamento face aos 7,4% registados no segundo trimestre. Ainda assim, sinalizam que a economia portuguesa resistiu à degradação da conjuntura.

Aliás, na variação em cadeia, ou seja, em relação aos três meses anteriores, a economia portuguesa até acelerou ligeiramente, crescendo 0,4%, mais 0,3 pontos percentuais (p.p.) do que no segundo trimestre deste ano.

O que explica este desempenho da economia portuguesa? Analisando a variação homóloga do PIB, o INE salienta que o contributo da procura interna diminuiu no terceiro trimestre, passando de 4 p.p. no segundo trimestre, para 2,9 p.p. no terceiro.

Isto por causa de “um crescimento ligeiramente menos acentuado do consumo privado e uma diminuição do investimento, determinada pelo comportamento da variação de existências”.

Segundo o INE, em termos reais, o consumo privado (inclui as Instituições Sem Fim Lucrativo ao Serviço das Famílias) aumentou 4,4% em termos homólogos no terceiro trimestre, muito perto dos 4,6% registados no trimestre anterior. Números que indicam que o consumo resistiu ao embate provocado pela conjugação da guerra na Ucrânia, crise energética, inflação em valores que não eram vistos há décadas, e forte subida dos juros.

O INE indica que as despesas de consumo final das famílias residentes em bens não duradouros e serviços desaceleraram, enquanto “a componente de bens duradouros registou um crescimento homólogo mais pronunciado”.

Isto aconteceu muito por causa de uma aceleração “tanto na aquisição de veículos automóveis, como nas despesas em outros bens duradouros”, aponta o INE, explicando que “esta evolução refletiu em parte um efeito base”. De facto, no terceiro trimestre de 2021 verificou-se “uma redução significativa da despesa com a aquisição de veículos automóveis”, nota o INE.

Quanto ao consumo público abrandou no terceiro trimestre, com um incremento de 0,5% em termos homólogos, menos 1,2 p.p. que no trimestre anterior.

Já o investimento diminuiu, passando de um crescimento homólogo de 3,5% no segundo trimestre, para uma redução de 0,4% no terceiro.

Para esta evolução contribuiu o abrandamento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - o indicador-chave para analisar o investimento - para uma taxa de variação homóloga de 1,2% (1,6% no segundo trimestre). Mais ainda, a variação de existências - que traduz os stocks das empresas - passou de um contributo positivo (0,3 p.p.) para o crescimento homólogo do PIB no segundo trimestre, para um contributo negativo de 0,3 p.p. no terceiro trimestre.

Exportações abrandam

Quanto à frente externa, o contributo positivo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB também diminuiu, ficando pelos 2 p.p. (3,3 p.p. no trimestre anterior), indica o INE.

A autoridade estatística nacional adianta que esta evolução traduz a desaceleração das exportações de bens e serviços, em volume, mais intensa que a das importações de bens e serviços.

Num contexto marcado pelos elevados preços dos bens energéticos e alimentares, o INE aponta que “em resultado do crescimento pronunciado do deflator das importações, superior ao observado nas exportações, verificou-se, pelo sexto trimestre consecutivo, uma perda significativa (4,1%) dos termos de troca, embora menos intensa que no trimestre anterior”.

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