Economia

Empresários temem impacto da semana de quatro dias: 71% antecipam efeito negativo nas contas

A Simoldes, em Oliveira de Azeméis, tem na indústria automóvel 90% da sua produção
A Simoldes, em Oliveira de Azeméis, tem na indústria automóvel 90% da sua produção
Rui Duarte Silva

Cerca de um terço dos empresários considera que a implementação da semana dos quatro dias “não será benéfica para nenhuma das partes”, conclui inquérito da Associação Empresarial de Portugal

Empresários temem impacto da semana de quatro dias: 71% antecipam efeito negativo nas contas

Cátia Mateus

Jornalista

O projeto-piloto criado pelo Governo para testar em Portugal a redução da semana de trabalho de cinco para quatro dias não convence os patrões. As confederações empresariais já o tinham sinalizado, durante a negociação com o Executivo em sede de concertação social, mas a Associação Empresarial de Portugal (AEP) quantifica-o agora. Um inquérito realizado junto de 1130 empresas associadas mostra que “cerca de um terço dos empresários considera que a implementação da semana dos quatro dias não será benéfica para nenhuma das partes, e outro tanto que apenas é benéfica para os trabalhadores”.

Do inquérito da AEP resulta que os empresários inquiridos temem os impactos que a generalização da medida teria. Entre os mais de mil inquiridos, 71% antecipam que a medida teria um impacto “negativo ou muito negativo” nos lucros, na competitividade (69%) e na produtividade (65%). As preocupações dos empresários abrangem também o aumento das queixas dos clientes (70%), dificuldades resultantes da organização dos processos internos (70%).

Para os empresários, quem terá mais benefícios com a implementação da semana dos quatro dias, “serão seguramente os trabalhadores e não as empresas”. Cerca de um terço dos empresários considera que a implementação da semana dos quatro dias “não será benéfica para nenhuma das partes” e mais de um terço considera que “apenas é benéfica para os trabalhadores”.

Patrões preferem maior flexibilidade a semanas mais curtas

Os empresários discordam ainda do modelo proposto pelo Governo, considerando que os vários cenários apresentados - mesmo se fosse enquadrada uma redução de 10% nos salários ou apoios financeiros do Governo -, para a semana de quatro dias não são “nada vantajosos”. A esmagadora maioria das empresas (77%) concorda (parcial ou totalmente) que, em alternativa, ”seria preferível uma total flexibilidade no modelo a adotar, por acordo entre o trabalhador e a empresa".

O impacto positivo nos trabalhadores é, no entanto, reconhecido. As empresas valorizam sobretudo os fatores de bem-estar pessoal com 83% dos empresários a atribuem um impacto positivo ou muito positivo), da qualidade de vida, 76% a destacarem os impactos na conciliação familiar e 66% a reconhecer o impacto da medida na redução de custos com deslocações (66%).

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: cmateus@expresso.impresa.pt

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