Economia

TAP: tripulantes repudiam "linchamento" da classe e asseguram que a companhia lhes deve 12 milhões

24 novembro 2022 14:19

rafael marchante

A TAP estimou em 8 milhões de euros a perda de receita associada à greve marcada para 8 e 9 de dezembro, mas o sindicato dos tripulantes contrapõe com pagamentos em dívida à classe de 12 milhões de euros

24 novembro 2022 14:19

Mantém-se o braço de ferro entre a gestão da TAP e o sindicato dos tripulantes de cabina, que marcaram greve para os dias 8 e 9 de dezembro, e que esta quinta-feira vieram reagir à conferência de imprensa da transportadora de quarta-feira. Nessa conferência, a presidente da companhia veio dizer que a paralisação terá um impacto de 8 milhões de euros nas receitas, e levou ao cancelamento de 360 voos.

"Não aceitamos um linchamento por parte desta administração. É inadmissível que a própria empresa esteja a lutar contra os seus trabalhadores", afirmou o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), em comunicado enviado aos seus associados, onde elenca as tentativas de negociação com a gestão da TAP sobre diversos temas e as questões que preocupam a classe.

“A administração alega que os ‘ganhos’ que os tripulantes teriam com esta proposta [de acordo de empresa] rondariam os oito milhões de euros É aqui que nasce o grande equívoco. Não estamos a falar de cedências. É algo que pertence aos tripulantes e que a empresa retirou de forma unilateral”, afirma o SNPVAC.

É uma reação às declarações de Christine Ourmières-Widener, presidente da TAP, que afirmou que o cancelamento de 360 voos representará uma perda de receitas de oito milhões de euros, um valor equivalente ao que os tripulantes ganhariam com a proposta de acordo de empresa que a TAP colocou em cima da mesa das negociações.

“Na realidade não são oito milhões de euros, mas sim constantes incumprimentos que ascendem a mais de 12 milhões de euros e que a empresa deve aos tripulantes”, reclama o sindicato presidido por Ricardo Penarroias.

O SNPVAC fala numa "tentativa de pressão e apontar de dedo", que considera "vergonhosa" e "inadmissível". "Pode, inclusive, interferir com a própria segurança de voo da operação", alerta. O sindicato considera ainda, as declarações feitas em conferência de imprensa “um dos maiores ataques à classe”.

“A direção do SNPVAC não fica indiferente a esta campanha de vitimização e recorda à administração que quem assumiu o fim das negociações foi a empresa e com ultimatos em cima da mesa”, sublinha.

O sindicato esteve reunido com a TAP em 15 e 16 de novembro, no âmbito das negociações do novo acordo de empresa, onde diz ter definido “14 pontos fundamentais” para que pudesse levar à consideração dos associados um possível cancelamento da greve.

O SNPVAC pede a negociação de um novo acordo com base no atual, “substancialmente melhorado”. Fazem parte das exigências do sindicato o ajuste das ajudas de custo, a atualização salarial, ou a efetivação de 11 tripulantes ultrapassados na senioridade.

O sindicato diz que “a empresa aceitou efetivar estes tripulantes mediante a obrigatoriedade de o SNPVAC apresentar a proposta aos associados até dia 22 de novembro”, algo que o sindicato diz ser “impossível de executar estatutariamente”.

“Quem decide os timings [prazos] futuros são os tripulantes. Exigimos respeito. Dia 6 [de dezembro] saberemos estar à altura de mais uma assembleia geral e esperamos transmitir uma inequívoca união entre todos nós”, sublinhou.

Para evitar o caos e danos reputacionais, a TAP pediu aos passageiros para remarcarem para os voos de 8 e 9 de dezembro.
A paralisação naqueles dois dias afetará cerca de 50 mil passageiros. A TAP adiantou que até quarta-feira 25% dos voos já tinham sido remarcados para outros dias.

A empresa não prevê novas greves de outras classes profissionais da companhia nos próximos tempos, mas nada garante que assim seja. Aliás, o sindicato dos pilotos da Portugália já ameaçou fazer greve.