Economia

Lucros da Altri aumentam 29,9% para 117,4 milhões de euros até setembro

24 novembro 2022 17:03

José Soares de Pina, CEO da Altri

Os lucros da Altri subiram 29,9% de janeiro a setembro de 2022. O desempenho financeiro do grupo “foi influenciado pelo volume de produção, pelas vendas, mas também pelos preços”, detalha

24 novembro 2022 17:03

Os lucros da Altri subiram 29,9% para 117,4 milhões nos primeiros nove meses de 2022, com o grupo a destacar uma "maior eficiência" a ajudar na obtenção destes resultados, de acordo com um comunicado divulgado esta quinta-feira, 24 de novembro.

"O desempenho financeiro do grupo Altri foi influenciado pelo volume de produção, pelas vendas, mas também pelos preços. As receitas totais atingiram os 805,9 milhões de euros, um crescimento de 37,7% face aos nove meses de 2021", revelou, na mesma nota.

Por sua vez, o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) "atingiu 223,4 milhões de euros nos nove meses, um aumento de 25,4% face ao período homólogo", destacou o grupo.

"A margem de EBITDA foi de 27,7% no acumulado do ano", uma redução de 2,7 pontos percentuais (p.p.), "sendo de 32,6% nos três meses terminados em setembro, uma redução de 4,0 p.p. face ao período homólogo". A Altri explicou que "apesar de um ambiente favorável de preços da pasta, o contexto inflacionista de vários custos variáveis limitou a evolução da margem", destacando que o grupo "continua a assistir a um acréscimo relevante do preço de químicos, gás natural e madeira".

Segundo a Altri, "o investimento líquido nos nove meses de 2022 atingiu os 34,8 milhões de euros, o que compara com 16,8 milhões no período homólogo, onde se incluem cerca de 9,7 milhões relacionados com a nova caldeira de biomassa para a Caima", sendo que no "terceiro trimestre o investimento realizado foi de 16 milhões".

A empresa realçou, numa outra nota publicada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que a sua dívida líquida "atingiu 360,1 milhões de euros no final do 3T22 [terceiro trimestre de 2022], um ligeiro aumento face a 356,9 milhões de euros no final do 2T22".

Na sua análise de perspetivas para o futuro, o grupo disse que "o mercado de europeu de pasta continua a mostrar sinais de uma forte solidez" que antecipa "se mantenha nos próximos meses".

"Um nível reduzido de stocks nos portos europeus aliado a uma procura sólida nos principais segmentos como o 'tissue' são bons indicadores para o futuro próximo", referiu, adiantando que "a procura de pasta para o setor da construção (Decór) e I&E (Impressão & Escrita) aparenta estar menos forte" do que se apresentava desde 2021. Já o "preço da pasta hardwood (BHKP) na Europa continua estável em outubro e novembro em 1.380 dólares/tonelada, o mesmo nível desde julho", referiu.

No lado da oferta, "a logística global está num processo de normalização, mas ainda com alguma influência em muitas das cadeias de valor", sendo que "os projetos de nova capacidade na América Latina, que estavam planeados para iniciar operação no final de 2022 ou início de 2023 continuam atrasados, sendo de esperar o início durante o primeiro semestre de 2023".

"A inflação generalizada dos custos variáveis foi o principal desafio em 2022 para o grupo Altri", destacou a empresa, indicando que "o aumento do preço do gás natural, do preço dos químicos e do custo da madeira, em grande parte relacionado com a maior importação, têm sido os fatores principais para um acréscimo relevante nos custos de produção por tonelada".

A Altri garantiu que durante o ano trabalhou "de forma a encontrar soluções para minimizar o seu efeito", tendo iniciado "recentemente a implementação de algumas soluções, nomeadamente através da diminuição do consumo de gás natural ao usar produtos alternativos e da redução do consumo específico de madeira". O grupo destacou ainda a instalação de capacidade de geração de energia elétrica através de centrais fotovoltaicas

Por fim, "relativamente ao projeto Gama, na Galiza, o grupo Altri continua a trabalhar com o objetivo de anunciar a decisão final de investimento durante o primeiro semestre de 2023".

Neste momento, a empresa está a trabalhar "nos principais pilares para a tomada de decisão, nomeadamente no estudo de impacto ambiental, projeto de engenharia, viabilidade económica, estrutura de financiamento e acesso a fundos da União Europeia".

Este projeto, lembrou, "decorre de um Memorando de Entendimento (MdE) assinado com a Impulsa, um consórcio público-privado da região da Galiza, para estudar em exclusivo a construção de uma unidade industrial de raiz com uma capacidade produtiva anual de 200.000 toneladas de pasta solúvel e fibras têxteis sustentáveis".

Notícia atualizada às 17h47