Economia

50 anos do Grupo Pestana: O time-sharing, a Madeira dos anos 70 e o ‘olho Pestana’

20 novembro 2022 16:29

João Silvestre

João Silvestre

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Editor de Economia

Tiago Miranda

Tiago Miranda

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Fotojornalista

Dionísio Pestana fotografado com o neto Henrique após um mergulho no mar. O empresário tem três filhos e três netos

Meio século depois, o hotel quase falido no Funchal que Dionísio Pestana herdou do pai transformou-se num grupo presente em 16 países. Mas nem tudo foi fácil

20 novembro 2022 16:29

João Silvestre

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Tiago Miranda

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Dionísio Pestana chegou à Madeira em 1976, para tomar conta do hotel que o pai tinha criado quatro anos antes. Para tentar salvar o negócio. Hoje, 50 anos depois, tem um grupo com mais de 100 hotéis em 16 países. Tudo começou na África do Sul, em Joanesburgo, onde a família vivia e onde Dionísio nasceu, em 1952. A família Pestana tinha negócios na área do comércio e a certa altura foi aconselhada a investir fora do país. Como recorda em entrevista ao Expresso: “O meu pai emigrou e fez investimentos na área do retalho. Quando já tinha algum dinheiro, o advogado lá na África do Sul, que era uma pessoa com visão, disse que o país ia ter os seus problemas com o apartheid. Como falávamos a mesma língua que em Moçambique, disse que devíamos fazer um investimento em Lourenço Marques ­(atual Maputo).” Assim nasceu o Prédio Funchal, ao lado da Sé, “um prédio de rendimento”.

Uma aposta que gerou dinheiro para depois investir no primeiro hotel na Madeira. “Um desafio feito pelo governador da Madeira, que na altura ia muitas vezes à África do Sul.” Manuel Pestana, o pai de Dionísio, decidiu arriscar, ainda que pouco ou nada soubesse do negócio. “O meu pai só ficava num hotel de vez em quando, mas, tirando isso, não sabia o mínimo de hotelaria.” Comprou um terreno em 1966, começa as obras em 1968 e o hotel Pestana Carlton abre portas em novembro 1972. Há precisamente 50 anos, um período de boom no turismo madeirense. O arranque não foi fácil. Dio­nísio recorda: “Em 1972 abre um mês, no inverno é fraco, 1973 era o lançamento, só que não era como hoje, era telex, páginas amarelas e operadores, grupos, nem sequer operadores grandes, então não era fácil.” Ao fim de um ano, decidem “arranjar uma companhia internacional para fazer a gestão”. Escolheram a Sheraton, mas o contrato era leonino e custou, mais tarde, a ser desfeito. Entretanto, chegou o 25 de Abril de 1974, com toda a turbulência que isso implicou, e as coisas agravaram-se.