Economia

Paris ultrapassa Londres como a maior praça bolsista da Europa

15 novembro 2022 11:01

thana prasongsin/getty images

Os problemas económicos e políticos britânicos e o bom desempenho das empresas de luxo francesas fizeram com que o valor dos títulos cotados em Paris ultrapassasse os de Londres

15 novembro 2022 11:01

Paris passou a ser a sede do maior mercado de ações da Europa, ultrapassando Londres num golpe às expectativas britânicas de reforçar o papel da City, o centro financeiro britânico, depois do Brexit. De acordo com a Bloomberg, os ativos cotados em Londres estão avaliados em cerca de 2,72 biliões de euros, ao passo que os títulos cotados em Paris já alcançam os 2,73 biliões de euros.

Para esta perda de estatuto contribuíram diversos fatores, com o mini-orçamento da antiga primeira-ministra britânica, Liz Truss, e do seu ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, à cabeça.

As propostas fiscais da dupla - que passavam por financiar cortes nos impostos através de aumento da dívida - fizeram com que os custos de financiamento aumentassem para o Reino Unido e provocaram uma desvalorização da libra esterlina face ao dólar, em mínimos de 1985, segundo a agência.

Três semanas depois de Truss tomar posse, os títulos das cotadas em Londres, o que inclui ações e obrigações, desvalorizaram-se em perto de 500 mil milhões de euros.

O aumento acelerado das taxas de juro pelo Banco de Inglaterra para tentar domar as taxas de inflação e os custos da energia no país impactaram negativamente as perspetivas de diversas empresas cotadas na praça londrina, com os cidadãos britânicos a lidarem com aumentos muito pronunciados nos preços de bens e serviços básicos e nas prestações de crédito à habitação.

Mas é uma tendência que já vem do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia decidida em 2016 em referendo, ressalva a Bloomberg. Nesse ano, a diferença entre Paris e Londres rondava os 1,5 biliões de euros, com vantagem para Londres.

Do lado francês, houve uma valorização das empresas de bens de luxo francesas, que beneficiaram dos sinais vindos da China de que a rígida política “zero covid”, que leva a confinamentos de milhões de cidadãos ao aparecimento de alguns casos, pode vir a ter algum alívio.

Empresas como a LVMH, dona da Louis Vuitton, Bulgari e Moët & Chandon, e a Kering, dona da Gucci, cotadas em Paris, viram as suas ações valorizarem-se cerca de 7% e 6% desde quinta-feira da semana passada, respetivamente.