Economia

Banco Central Europeu repreende severamente governo espanhol por causa de imposto sobre lucros extraordinários

13 novembro 2022 23:12

Ángel Luis de la Calle

Ángel Luis de la Calle

Correspondente em Madrid

Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha

europa press news

O Governo espanhol quer criar um novo imposto sobre a banca, mas o BCE considera que não foi suficientemente estudado

13 novembro 2022 23:12

Ángel Luis de la Calle

Ángel Luis de la Calle

Correspondente em Madrid

Há uma discordância grave entre o Governo espanhol e o Banco Central Europeu (BCE). Este organismo regulador emitiu um parecer não-vinculativo no qual lança sé­rios avisos sobre o imposto que o Governo espanhol tencio­na impor às margens de juro e comissões das principais instituições financeiras do país. Considera que o imposto não foi suficientemente estudado, que poderá tornar o financiamento mais caro, restringir o crédito e colocar em risco a solvabilidade dos bancos. O parecer do regulador europeu, que é subscrito por todos os seus conselheiros, caiu como um balde de água fria no seio do gabinete ministerial e especialmente no Presidente, o socialista Pedro Sánchez. O político espanhol centrou as suas críticas no vice-presidente do BCE, o espanhol Luis de Guindos, que foi ministro da Economia nos Governos conservadores liderados por Maria­no Rajoy e a quem é atribuída a iniciativa do parecer.

Sánchez ridicularizou De Guindos, “o artífice do salvamento do sector financeiro espanhol que disse que não ia custar um cêntimo ao contribuinte” e que acabou por forçar o desembolso de quase €60 mil milhões de fundos públicos, dos quais apenas €10 mil milhões foram recuperados, como explicou o Presidente espanhol no final da cimeira hispano-portuguesa em Viana do Castelo, na semana passada. “Estamos muito gratos pelos vossos conselhos, mas vamos seguir em frente”, disse o Presidente espanhol.