Economia

Paz social em risco na Autoeuropa: braço de ferro entre trabalhadores e administração pode acabar em greve

Paz social em risco na Autoeuropa: braço de ferro entre trabalhadores e administração pode acabar em greve
PEDRO NUNES

Depois de quatro plenários realizados entre ontem e a manhã desta quarta-feira, com os quatro turnos da Autoeuropa, a Comissão de Trabalhadores diz que a paragem laboral é praticamente inevitável

“A empresa fechou a porta ao diálogo e, assim, não pode haver mais paz social. Iremos para a greve”, adianta ao Expresso Rogério Nogueira, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, a maior empresa do sector automóvel em Portugal, que emprega cerca de 5200 pessoas.

O braço de ferro entre os trabalhadores e a administração extremou porque, para ajudar a enfrentar os efeitos da inflação, a administração da Autoeuropa quer pagar um prémio único de 400 euros por empregado, ainda este mês de novembro, mas os trabalhadores consideram que isso não chega e exigem aumentos salariais de caráter extraordinário da ordem dos 5%.

Greves a 17 e 18 de novembro, de duas horas por turno

Depois de quatro plenários realizados ontem, terça-feira, e outros já na manhã desta quarta-feira (às 6h00 e às 8h00) – com todos os turnos que laboram na fábrica de Palmela -, a Comissão de Trabalhadores garante que foi mandatada para apresentar um pré-aviso de greve, que deverá ser concretizada a 17 e 18 deste mês de novembro, sob a forma de duas horas de paragem por cada um dos quatro turnos da fábrica.

Rogério Nogueira, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa
D.R.

“Na próxima sexta-feira teremos uma reunião com a direção de Recursos Humanos da empresa. Se nessa altura nos for manifestada abertura para um compromisso que leve à negociação de um aumento salarial extraordinário, de acordo com as nossas expectativas, desmobilizaremos da greve. Caso contrário ela irá ser concretizada”, sublinha ainda o representante dos trabalhadores da Autoeuropa.

Administração não faz comentários sobre a situação

O Expresso tentou obter uma reação da administração à posição dos trabalhadores, mas a única resposta é que, para já, não há “quaisquer comentários”.

Os trabalhadores queixam-se de que, ao contrário do que vinha sendo habitual, a cultura de diálogo desapareceu. “Fomos confrontados com uma imposição administrativa, sobre a atribuição de prémios únicos a cada trabalhador”, nota Rogério Nogueira, há um ano nas funções de coordenador da Comissão de Trabalhadores.

O mesmo responsável admite ainda que, caso a empresa não aceite regressar ao diálogo sobre matéria salarial, depois de confrontada com esta forma de luta [greve], “avançaremos para outras manifestações mais duras”, embora não tenha especificado quais.

Trabalhadores dizem que este será um dos melhores anos de sempre na empresa

Os trabalhadores, segundo Rogério Nogueira não se conformam com a resistência da administração ao aumento pretendido de 5%, pois, explica, “este até vai ser um dos melhores anos da empresa, em termos de produção, apesar de todos os constrangimentos impostos pela pandemia e pela guerra na Ucrânia”. A produção deverá ficar muito próxima dos 240 mil automóveis, na fábrica de Palmela, até ao final deste ano. E conclui dizendo que “ninguém entende esta posição [por parte da administração], numa reivindicação que é mais do que justa. Achamos que temos direito a um aumento de 5%, mesmo que haja prémio”.

Para já a única certeza é de que, nos dias em que houver greve, irão sair menos carros da linha de montagem da Autoeuropa.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: VAndrade@expresso.impresa.pt

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