O clima económico na União Europeia (UE) e nos Estados Unidos aponta para uma recessão no próximo ano. É esse o entender de Sébastien Galy, analista sénior da gestora de investimentos Nordea Asset Management (NAM). Em conversa com jornalistas, o analista disse que “estamos numa fase de contração, neste caso na UE, mas também nos Estados Unidos da América [EUA]”.
A contração acontece numa altura de elevada inflação, mas em 2023 esta deverá abrandar, segundo o analista. Os dados divulgados esta segunda-feira apontam então para uma recessão (ou crescimento lento) acompanhado por uma menor inflação em 2023 e, depois, uma certa recuperação em 2024.
E se em 2023 a inflação deverá abrandar, com menos procura devido à menor disponibilidade para gastos, o mesmo não se espera no ano seguinte. “Quando a procura recuperar mais fortemente no final de 2024, esta deverá revelar-se inflacionária, uma vez que a oferta não a consegue acompanhar”, disse.
Com a economia a abrandar, os investimentos em matéria-prima e desenvolvimento de produto serão “prudentes” e mesmo a possibilidade de a economia chinesa recuperar será “residual” devido à crise imobiliária no país.
Toda esta situação traz desafios a vários países, mas uns são mais sensíveis que outros. Um dos desafios será a subida da dívida pública à medida que os governos tentam ajudar as famílias a enfrentar o aumento dos preços. O problema é que alguns países não têm condições para suportar grandes aumentos da dívida, como a Grécia ou Itália.
A previsão da Nordea contrasta com a do Fundo Monetário Internacional (FMI) que, apesar de admitir que “o pior está para vir” no seu World Economic Outlook, manteve a previsão de crescimento mundial em 2023 (de 2,7%).
O FMI prevê, contudo, recessão em alguns territórios: Alemanha, Itália e Suécia na UE, Rússia entre os grandes mercados emergentes (fruto da invasão à Ucrânia) e Chile na América Latina. Nos Estados Unidos o FMI não prevê uma recessão no próximo ano, mas sim um crescimento de 1%.
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