Economia

Banco de Fomento já pode ter nova administração para ter nova vida

4 novembro 2022 18:45

josé fernandes

Autorização do Banco de Portugal à equipa liderada por Celeste Hagatong e Ana Carvalho veio a tempo da comemoração dos dois anos do Banco de Fomento. Governo espera nova fase na instituição. Novos nomes entram em funções este mês

4 novembro 2022 18:45

Uma das dificuldades apontadas ao Banco Português de Fomento ficou para trás: já há condições para haver estabilidade na administração.

“Por deliberação do Banco de Portugal, de 2 de novembro de 2022, foi concedida autorização prévia para o exercício de funções do novo Conselho de Administração do Banco Português de Fomento, liderado por Celeste Hagatong”, anunciou uma nota do Ministério da Economia.

A deliberação foi decidida pelo Banco de Portugal na quarta-feira, um dia antes de o Banco de Fomento ter completado dois anos de atividade. Nesta vida, a sua operação tem sido muito criticada pela incapacidade de cumprir a missão de financiar a economia e de promover o financiamento a entidades que não o conseguem fazer junto da banca comercial.

A nova administração contará com Celeste Hagatong, ex-BPI e agora presidente da seguradora de crédito Cosec, como presidente não executiva, e Ana Carvalho, vinda também da Cosec e com histórico no BPI também, como presidente executiva. Ao seu lado estarão Tiago Simões de Almeida (ex-BPI), Rui Dias (ex-CGD) e Susana Bernardo (ex-Santander), como administradores executivos, continuando nos cargos que ocupam desde agosto de 2021.

De saída está Beatriz Freitas, que ali estava desde a constituição do Banco de Fomento e que acabou por ser o rosto das críticas que continuamente foram sendo feitas, incluindo pelo próprio ministro da Economia, António Costa e Silva. “Não estou contente com o desempenho do Banco de Fomento, temos de melhorar”, foi uma das últimas afirmações do governante, no Parlamento.

A ausência de uma administração completa e definitiva é um dos pontos que tem levantado dúvidas à Comissão de Auditoria do Banco de Fomento, que também tem revelado dificuldades na operacionalização de uma cultura de controlo do risco no banco – aliás, como o Expresso noticiou, até entregou ao supervisor uma participação sobre um obstáculo à fiscalização.

Para conseguir chamar a nova administração, o Governo retirou os gestores do Banco de Fomento das amarras do Estatuto do Gestor Público, que faziam com que a atual presidente, Beatriz Freitas, recebesse menos 48% do que um dos administradores executivos que a acompanhavam até aqui.