A Galp Energia admite que deverá ficar sem uma entrega de gás natural liquefeito (GNL) que a Nigeria LNG deveria deixar em Sines no final de outubro. No entanto, para as entregas previstas para novembro não há ainda quaisquer cancelamentos previstos, adiantou um gestor da petrolífera esta segunda-feira, na apresentação dos resultados do terceiro trimestre aos analistas financeiros.
“Uma carga de GNL deverá ser afetada no final de outubro, mas não há previsões de impacto para novembro”, declarou o diretor de trading da Galp, Rodrigo Vilanova, na conferência com analistas.
De acordo com o mesmo responsável, a Galp já assegurou a aquisição de gás natural no mercado para compensar o volume que deveria chegar por navio no final deste mês. O gás foi comprado para entrega por gasoduto, ou seja, a Galp irá importá-lo de Espanha, e não por via marítima, pelo terminal de Sines.
O presidente executivo da Galp, Andy Brown, acrescentou, na mesma conferência, que a empresa está a conseguir comprar a “preços atrativos” os volumes de gás para compensar a falha da Nigéria.
Ainda assim, conforme a Galp informa na sua apresentação à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), considerando um valor médio de 70 euros por megawatt hora (MWh) no mercado ibérico de gás (Mibgás), esta substituição do GNL da Nigéria por gás do mercado deverá ter um custo adicional de 40 a 50 milhões de euros.
Andy Brown admitiu que os cortes de produção da Nigéria devido às cheias são “uma preocupação” para a Galp, com o gestor a endereçar também uma mensagem de solidariedade ao povo nigeriano, em face da “tragédia real”, que já vitimou mortalmente centenas de pessoas.
Recorde-se que os contratos de gás da Nigéria são contratos de longo prazo e preços mais baixos que os do mercado diário, e os volumes desses contratos servem prioritariamente para abastecer o mercado regulado de gás natural.
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