Economia

Alterações climáticas causaram prejuízos de 145 mil milhões de euros na União Europeia em 10 anos

Alterações climáticas causaram prejuízos de 145 mil milhões de euros na União Europeia em 10 anos
Horacio Villalobos

As alterações climáticas levaram a UE a perder 145 mil milhões de euros em 10 anos. Em 2020, Portugal foi dos países que sentiram menos perdas económicas ligadas ao clima por habitante

As alterações climáticas são, há várias décadas, tema de discussão política, tendo provocado vários desastres naturais - como o degelo, seca e incêndios -, mas o impacto vai muito além do clima. As alterações climáticas levam também a perdas económicas. Segundo os dados do Eurostat, divulgados esta segunda-feira, a União Europeia (UE) perdeu 145 mil milhões de euros na última década.

O gabinete estatístico europeu, citando dados da Agência Europeia do Ambiente, indica ainda que a média móvel de 30 anos de perdas económicas relacionadas ao clima aumentou 2% na última década.

Estas perdas incluem prejuízos materiais associados a fenómenos extremos ligados às alterações climáticas, não incluindo, por exemplo, os custos económicos decorrentes da mortalidade e das doenças, segundo o Eurostat.

Em 2020, as perdas económicas relacionadas com as alterações climáticas foram de 12 mil milhões de euros. Até ao momento, a maior perda foi registada em 2017 (27,9 mil milhões de euros), um ano ‘negro’ para Portugal devido aos incêndios de junho e outubro. Nesse ano, toda a Europa registou elevadas ondas de calor.

Por outro lado, a perda mais baixa deu-se em 2012 (3,7 mil milhões de euros).

Portugal entre os países que sofreu menos perdas económicas em 2020

No ano em análise, 2020, a Grécia registou as maiores perdas económicas relacionadas com o clima por habitante (91 euros), bem acima da média da UE (27 euros). Também a França, Irlanda, Itália e Bélgica ficaram acima da média, com 62, 42, 41 e 33 euros por habitante, respetivamente.

Por outro lado, as menores perdas por habitante foram registadas na Bulgária (0,7 euros por habitante), Eslovénia e Eslováquia (em ambos os casos 4 euros por habitante).

Portugal foi o sexto país com uma menor perda por habitante (8,55 euros).

Por outro lado, em 2017, no ano dos grandes incêndios, Portugal foi o terceiro país com as maiores perdas (192 euros por habitante), logo a seguir a Itália (196 euros) e Letónia (199 euros). Nesse ano, em média, a UE perdeu 62,57 euros por habitante, em perdas ligadas às alterações climáticas.

Em 2012 - o ano com menores perdas a nível europeu - Portugal não tem dados disponíveis.

No entanto, é possível encontrar um ano em que Portugal teve a maior perda económica e outro em que teve a menor. Se recuarmos a 2010, Portugal foi o país com maiores perdas (128 euros). Nesse ano, a média na UE foi de 38,43 euros. Já em 2015, Portugal foi o país com menos perdas por habitante ligadas ao clima (0,55 euros).

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