Economia

Aeroporto: Arnaut diz que o ex-ministro das Finanças João Leão foi "uma força de bloqueio" às obras de melhoria em Lisboa

27 setembro 2022 17:43

nuno botelho

Presidente do Conselho de Administração da ANA avançou que a proposta para obras de melhoria no aeroporto de Lisboa foi entregue em 2020, mas nunca teve resposta por parte do ministro das Finanças, a quem escreveu seis cartas sem resposta

27 setembro 2022 17:43

José Luís Arnaut, presidente do Conselho de Administração da ANA, admitiu que as obras de melhoria do Aeroporto Humberto Delgado não avançaram ainda porque o ex-ministro das Finanças, João Leão, nunca criou a comissão que era preciso criar para que as obras fossem discutidas com o Executivo, e aprovadas por este, como obriga o contrato de concessão.

"Houve um conjunto das melhorias propostas pela ANA em 2020. Apesar do empenho de Pedro Nuno Santos houve uma força de bloqueio, o ministro [João] Leão", afirmou José Luís Arnaut, na sua intervenção na 6ª cimeira da Confederação do Turismo de Portugal, a decorrer hoje em Lisboa.

Qualquer obra que a Vinci queira fazer, enquanto concessionária, só a poderá fazer com autorização do ministério das Finanças, que terá de criar uma comissão para o efeito, explicou Arnaut. “Escrevemos seis cartas ao ministro [das Finanças] e ele nada disse”, lamentou. O projeto está no Governo desde 2020 e não é por falta de vontade nossa [ANA], da TAP e do Ministério das Infraestruturas, que não se fizeram", sublinhou ainda.

Agora, "temos um novo ministro das Finanças (Fernando Medina], temos uma nova determinação do Governo, acreditamos que agora estão reunidas as condições para que rapidamente a UTAP [Unidade Técnica de Acompanhamento de projetos]se sente à mesa connosco, aprove o projeto que nós temos para melhoria do aeroporto", rematou José Luís Arnaut.

Arnaut defendeu que "são precisas obras urgentes para receber os passageiros" no aeroporto Humberto Delgado. E admitiu que as obras permitirão fazer 11 novas mangas, por exemplo.
"É uma obra que será feita por etapas", explicou. E avançou: "No próximo verão esperamos que esteja melhor".

TAP penalizada pelo atraso nas obras em Lisboa

Christine Ourmières-Widener, presidente da TAP, reconhece que a transportadora tem sido penalizada pelo atraso na obras no Aeroporto Humberto Delgado, situação que lamenta, admitindo que não espera que o aeroporto esteja com melhorias significativas em 2023.


"Era bom podermos trabalhar com um aeroporto com a sua capacidade total de funcionamento. E não estou a dizer isto apenas por causa das rotas, é importante ter uma melhor experiência para os passageiros", explicou. E detalhou: "Precisamos de mais mangas. Precisamos de melhorar a Portela, porque é a Portela que vamos ter para os próximos anos. Para 2023 precisamos de mais capacidade, agora estamos a 90% de 2019, mas para o próximo ano vamos estar nos 100%".

Christine Ourmières-Widener defendeu ainda: "no próximo verão vamos ter algumas mudanças, mas não significativos. Num ano as obras não vão estar concluídas. O próximo verão vai ser desafiante. Este desafio passa também por lidar com os reguladores como a NAV e ANAC". Precisamos de trabalhar juntos, apelou.


A presidente da TAP diz que não espera mudanças ao nível das infraestruturas para os próximos anos, daí a importância de melhorar o aeroporto de Lisboa. "Sabemos que estamos atrasados no novo aeroporto. Não esperamos mudanças para os próximos anos", afirmou.

Arnaut admitiu que antes de meados de 2024 não haverá nova localização

O presidente do Conselho de Administração da ANA lembrou ainda que a concessão da Vinci só termina em 2062, e que a concessionária tem três anos para negociar com o governo novos investimentos depois de atingidos certos parâmetros, que o gestor admite que serão atingidos no próximo ano.
Arnaut não acredita que haja uma escolha sobre a localização do novo aeroporto antes de meados de 2024.

"Há tanto ruído e afirmações fantasmagóricas que convém esclarecer que no contrato de concessão [assinado entre a Vinci e o Estado] há três parâmetros que quando se esgotarem têm de ser comunicados ao Estado, e nessa altura a ANA tem três anos para discutir a questão com o governo. Se não se chegar a acordo, o governo pode propor-nos uma solução no prazo de ano", afirmou. Os três parâmetros são os voos, os slots, e os passageiros, explicou.


"Esperamos que no próximo ano estes três parâmetros estejam atingidos. Depois temos três anos para negociar com o governo", afirmou.