Economia

S&P sobe “rating” da banca nacional, mas vê dificuldades em algumas indústrias e preços das casas a subir

16 setembro 2022 16:57

bloomberg

Santander e BPI melhoram classificações de risco em que a S&P aconselha investimento. BCP fica apenas a um degrau de deixar o patamar em que a dívida de longo prazo é considerada especulativa ("lixo")

16 setembro 2022 16:57

A agência norte-americana Standard & Poor’s melhorou a classificação de risco atribuída à dívida de três bancos portugueses: Banco Comercial Português, Santander Totta e Banco BPI. Uma decisão que segue a subida da notação financeira dirigida à dívida de Portugal. No caso do Haitong Bank, a notação financeira foi mantida.

Em comunicado publicado esta sexta-feira, 16 de setembro, a agência norte-americana informa que os ratings do BPI e do Santander sobem de “BBB” para “BBB+”, o terceiro nível mais alto de investimento. No caso do BCP, a classificação é mais baixa, de “BB+”, quando estava em “BB”, ficando ainda num degrau em que a S&P não aconselha investimento, considerando a sua dívida ainda investimento especulativo (o nível conhecido como lixo). Porém, é o mais alto nesse quadro, pelo que qualquer melhoria permitirá subir para o nível de investimento. No Haitong Bank, o rating está em “BB” e aí se manteve, ainda mais especulativo que no BCP.

As perspetivas sobre a notação financeira destas quatro entidades são “estáveis”, o que não faz prever nenhuma subida no curto e médio prazo.

No comunicado, a agência (uma das três grandes, a par da Moody’s e da Fitch) admite que os bancos, que têm vindo a melhorar a qualidade dos créditos concedidos, vão registar uma nova deterioração a partir da segunda metade deste ano e no início de 2023. Tal deve-se aos “efeitos da inflação mais elevada, do abrandamento da atividade económica, condições financeiras mais difíceis nos devedores”. Porém, os bancos vão conseguir gerir, acredita a agência.

“Os problemas ficarão muito provavelmente concentrados nos devedores com fraquezas já pré-existentes que operam em indústrias afetadas pelos preços da energia e das commodities mais caros, tais como alojamento, alimentação, transportes e armazenamento”, antecipa o comunicado.

Preços das casas vão continuar a subir

A nível de imobiliário, a agência acredita que não será por aqui que os bancos terão problemas. “Esperamos que o mercado imobiliário continue relativamente dinâmico”. Os preços das casas deverão continuar a subir, mas a um ritmo mais lento (abaixo do crescimento de 11,6% de 2021 e da média anual de 9% entre 2017 e 2020), indica o mesmo comunicado.

A oferta de habitação continua a faltar e a procura por parte de estrangeiros manter-se-á, aponta a S&P, que diz que mesmo com uma correção dos preços os bancos não sofreriam – ainda assim, a sua performance a nível de resultados continuará atrás dos pares europeus.