Economia

Argentina anuncia inflação de 7% em agosto e acumula 78,5% de aumento de preços nos últimos 12 meses

15 setembro 2022 7:58

carlos garcia rawlins

A inflação de agosto na Argentina foi de 7%, acumulando 56,4% nos primeiros oito meses de 2022. É o maior nível desde 1991, altura em que o país saía da hiperinflação

15 setembro 2022 7:58

O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina anunciou esta quinta-feira, 15 de setembro que a inflação de agosto foi de 7%, acumulando 56,4% nos primeiros oito meses de 2022, o maior nível desde 1991, quando o país saía da hiperinflação.

Assim, o país consolida um nível ainda mais elevado de inflação, depois dos 7,4% de julho. Num único mês, a Argentina atinge a inflação que vários países percorrem ao longo de um ano. Nos últimos 32 meses de Governo do Presidente Alberto Fernández, o acúmulo chega a 220%.

Nas últimas horas, Fernández festejou os 1000 dias no cargo, com uma publicação nas redes sociais na qual exaltou que "o seu Governo, tem uma obrigação com os últimos".

"1000 dias do Governo de Alberto Fernández e de Cristina Kirchner (vice) com decisões sempre a favor do povo", publicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Santiago Cafiero.

No entanto, o setor Alimentos e Bebidas, aquele que mais impacto tem na classe baixa, registou um aumento geral de 7,1% em agosto.

A argentina Fundação Mediterrânea publicou um estudo comparativo entre as principais economias da América Latina. O aumento de preços de Alimentos e Bebidas na Argentina é, em média, cinco vezes maior do que nos demais países da região.

Esse aumento de preços impacta com mais força nos mais pobres, elevando o ambiente de tensão social. Em agosto de 2021, a inflação ficou em 2,5%, um patamar já elevado. Um ano depois, quase triplicou.

"Obviamente, há uma grande indignação social perante uma dinâmica inflacionária complicada. A inflação passou de um nível de 3% a 7%, gerando tensão", indica à Lusa Daniel Artana, economista-chefe da Fundação de Investigações Económicas Latino-americanas (FIEL), uma referência no país.

O relatório mensal do Banco Central argentino calcula a projeção da economia entre os principais consultores e bancos do país. A expectativa, difundida pelo Governo com base nos referentes do mercado, é de uma inflação de 95% em todo 2022, um aumento de 4,8% em relação à previsão do mês anterior.

Quando a pesquisa se concentra apenas nos consultores que mais acertam nesses cálculos, a previsão anual pula para 99,4%, superando os 84% de 1991. Para a FIEL, de Daniel Artana, a inflação de 2022 deve chegar a 112,4%.

Nesta segunda-feira (12), o ministro argentino da Economia, Sergio Massa, reuniu-se em Washington com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com a secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen.

"Ele (em referência a Massa) reconheceu sobriamente que os problemas que a Argentina enfrenta são significativos e a prioridade é a inflação, que é devastadora, especialmente para os pobres da Argentina", apontou Kristalina Georgieva.

Sergio Massa prometeu em Washington que vai cumprir com a meta de superavit fiscal de 2,5% do PIB neste ano e que o Banco Central vai recuperar reservas internacionais. Tanto no FMI quanto no Tesouro as sinalizações foram pela expectativa de reformas que resgatem a credibilidade da Argentina para voltar aos mercados e por um plano para baixar a inflação como ponto de partida para a estabilização da Economia.

"Não há no horizonte nem um plano de estabilização, muito menos de reformas estruturais. O Governo tem desvalorizado a moeda num ritmo cada vez mais veloz, acima de 6% ao mês. Os salários formais têm procurado reajustes nesse mesmo ritmo. Portanto, sem um plano de estabilização, a inflação deve oscilar entre 6% e 7% até o final do ano", prevê Daniel Artana.