Economia

Sefarditas. “Todas as informações sobre nós são totalmente falsas”: acionista maioritário da Altice desmente a Comunidade Israelita do Porto

2 setembro 2022 16:06

Patrick Drahi nasceu em Marrocos, tem nacionalidade marroquina, francesa, israelita e portuguesa

christophe morin/ip3

Chocado com o envolvimento do seu nome pela Comunidade Israelita do Porto, que acusa o Estado português de antissemitismo, Patrick Drahi recusa “ser instrumentalizado” e afiança que vai avançar com uma queixa na justiça

2 setembro 2022 16:06

Patrick Drahi, acionista maioritário da Altice, que em Portugal controla a MEO, afirma desconhecer ou ter qualquer tipo de relação com a Comunidade Israelita do Porto (CIP).

"Não estamos nem de perto nem remotamente ligados a estas pessoas, que não conhecemos", adianta Arthur Dreyfuss, porta-voz de Patrick Drahi, em declarações ao Expresso. Judeu sefardita, o patrão da Altice é cidadão português desde de 2016, ao abrigo da legislação que garante a nacionalidade aos descendentes de judeus sefarditas, e o seu processo de certificação passou pela Comunidade Israelita de Lisboa.

“Todas as informações sobre nós são totalmente falsas” e “iniciaremos de imediato todos os procedimentos legais e judiciais necessários”, acrescenta o porta-voz de Drahi. A CPI afirma num longo documento de 131 páginas, cujo título é "A Primeira Grande Conspiração Antissemita do Século XXI", e que seguiu como queixa para a Procuradoria Europeia, que os agentes do Estado e dos média estão a levar a cabo uma conspiração para evitar que haja "mais Patrick Drahis" em Portugal.

O dono da Altice é profusamente citado na queixa da CIP, a que o Expresso teve acesso, e na qual a Comunidade do Porto sugere uma conspiração que visa, acima de tudo, “acusá-lo falsamente do crime de corrupção” na aquisição da nacionalidade portuguesa. Ao mesmo tempo, aponta Drahi como alvo principal de uma campanha antissemita destinada a “evitar que judeus ricos de nacionalidade portuguesa invistam em sectores estratégicos”.

"Descobrimos com perplexidade e chocados este documento absolutamente louco", afirma o porta-voz do empresário franco-israelita, que iniciou negócios em Portugal em 2015, quando comprou a Altice, antiga Portugal Telecom. A perseguição de Drahi, afirma a CIP, traduz-se na intenção de abertura de um concurso internacional “para entregar o SIRESP à Motorola, em detrimento da Altice”. Mais: “a conspiração antissemita pretende quebrar Drahi para entregar a sua empresa de telecomunicações (MEO) a um fundo não-judeu”, assim como impedir que outros judeus portugueses invistam em áreas “dominadas pelas elites tradicionais”.

Drahi demarca-se da CIP, e diz que recusa qualquer instrumentalização. "Nunca aceitaremos ser instrumentalizados em assuntos que, em absoluto, não nos dizem respeito, por pessoas que absolutamente não conhecemos", salienta ainda o patrão da Altice Portugal.