Economia

Depois de sair do Banco Montepio, Carlos Tavares abandona o BEM, que quis dinamizar

2 setembro 2022 11:17

Carlos Tavares recebe €401 mil como chairman

O Banco Empresas Montepio lucrou 1,7 milhões de euros no primeiro semestre, mais 37% do que no mesmo período de 2021. Até junho, a imparidade para riscos de crédito ascendeu a 1094 milhões de euros

2 setembro 2022 11:17

Há mudanças de gestão no Banco Empresas Montepio (BEM), a instituição do grupo que Carlos Tavares quis dinamizar como banco destinado a financiar as empresas. A grande mudança é precisamente a saída de Carlos Tavares.

“De acordo com o modelo de governo adotado pelo Banco Empresas Montepio no quadro do Grupo em que está integrado e dentro do espírito de continuidade e transição que tem pautado as diversas alterações no Grupo Banco Montepio, os administradores Carlos Tavares, Nuno Mota Pinto, Pedro Ventaneira e Leandro Silva, que eram comuns ao Banco Montepio e nele cessaram funções em 25 de julho, apresentaram a renúncia aos respetivos cargos na reunião do Conselho de Administração de 31 de agosto de 2022”, indica o comunicado divulgado esta sexta-feira, 2 de setembro, pelo BEM.

O Expresso tinha já questionado sobre o que aconteceria no BEM com a saída do Banco Montepio, mas os gestores optaram por manter-se em silêncio. Gestores que estão ainda na liderança de outras instituições do grupo: Nuno Mota Pinto está, por exemplo, na presidência do Finibanco Angola.

Saem assim os nomes da administração do BEM que não ficaram na administração do Banco Montepio agora que se iniciou o novo mandato. Em sua substituição, entraram “Pedro Leitão, Ângela Barros e Isabel Silva, que assumirão funções logo que obtidas as competentes autorizações pela autoridade de supervisão”.

No comunicado, é escrito que o “Conselho de Administração do Banco Empresas Montepio está certo do contínuo empenhamento das equipas que conduziram aos resultados alcançados e confiante que, desse modo, se consolidará a afirmação do Grupo Banco Montepio na banca de empresas”. Uma afirmação deixada quando não há certezas sobre a continuidade do BEM como banco autónomo na nova fase da vida do grupo mutualista. Virgílio Lima, presidente da dona do Banco Montepio, a Associação Mutualista Montepio Geral, assumira que o BEM podia ser integrado no banco.

Lucro cresce 37%

No mesmo comunicado é revelado que o Banco Empresas Montepio (BEM) obteve um lucro de 1,7 milhões de euros no primeiro semestre, mais 37% do que no mesmo período de 2021, e quase quadruplicou o resultado operacional, para 2.203 milhões, anunciou a instituição.

“Neste período ocorreu um significativo reforço líquido de imparidades e provisões, em grande medida associado a ativos (crédito e imóveis) pré-existentes à criação do BEM (cerca de 1,4 milhões de euros), que acabaram por reduzir o resultado líquido para cerca de 433 milhões de euros. No entanto, o resultado líquido estimado para a atividade própria do BEM (a iniciada em meados de 2019) ascendeu a 1,7 milhões de euros, contra 1,3 milhões de euros no semestre homólogo de 2021 (+37%)”, avança em comunicado.

Assim, até junho, a imparidade para riscos de crédito ascendeu a 1094 milhões de euros, “determinada em grande medida” pela referida operação pré-existente à atividade do BEM iniciada em 2019 (877 milhões de euros).

De janeiro a junho, a margem financeira do BEM totalizou 3499 milhões de euros, um acréscimo de 22% face ao período homólogo “determinado pelo forte aumento dos juros da carteira de crédito em 682 milhões de euros”.

As comissões ascenderam a 1942 milhões de euros no primeiro semestre, aumentando em 835 milhões de euros (+75%) face ao período homólogo em resultado de ganhos com comissões originadas pela área de banca de investimento.

No primeiro semestre, os custos operacionais do BEM atingiram 2592 milhões de euros, registando uma subida homóloga de 306 milhões de euros para a qual o banco diz ter sido “determinante o aumento dos custos com pessoal de 151 milhões de euros e dos gastos gerais administrativos em 144 milhões de euros”.

O cost-to-income (que mede a relação dos custos sobre os proveitos), excluindo os resultados em operações financeiras e os outros resultados de exploração, atingiu 47,6% no final do primeiro semestre de 2022, comparando com 57,4% apurados no mesmo período de 2021.

Já o crédito a clientes (bruto) situou-se em 423.455 milhões de euros, “refletindo um acréscimo de 91.151 milhões de euros (+27%) face ao valor observado no período homólogo, fruto da dinâmica comercial implementada”.