Economia

Tripulantes da Portugália em luta contra o "mal estar laboral" vão avançar com pré-aviso de greve

29 agosto 2022 17:19

Foto: Getty Images

Reclamando melhorias salariais e uma maior equiparação aos trabalhadores da TAP, os tripulantes de cabina da Portugália vão colocar em cima da mesa a possibilidade de avançar com um pré-aviso de greve

29 agosto 2022 17:19

A tripulação de cabina da Portugália vai reunir-se terça-feira em Assembleia Geral para votar formas de luta para melhorar as condições de trabalhar, e sabe o Expresso, vai ser colocado em cima da mesa a possibilidade de avançarem com um pré-aviso de greve. Acusam a TAP de ter "uma gestão errática, que trata de forma diferente e discriminatória os tripulantes da Portugália, e como se estes tripulantes não fizessem parte do Grupo".

"Se para a presidente da TAP a Portugália é um simples ACMI, semelhante à Hi Fly ou a Air Bulgária, por que foram" aplicados aos seus trabalhadores as "mesmas medidas cegas" aplicadas aos trabalhadores do grupo TAP, no âmbito do plano de reestruturação, "sem considerar empresas ou classes profissionais, independentemente das condições laborais e remuneratórias de cada uma?", pergunta o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), em nota enviada aos associados, a que o Expresso teve acesso.

Aos tripulantes de cabine da Portugália foi aplicado um corte de 25% de salário na parte que excede os 1330 euros e o congelamento de progressões e evoluções salariais. A Portugália tem cerca de 350 tripulantes de cabina.

"Apesar das muitas tentativas de clarificação e correção do SNPVAC, desde do primeiro momento que o acordo temporário de empresa (ATE) celebrado é aplicado com uma interpretação própria por parte da Portugália", diz o sindicato.
Salientando que têm sido "dois anos difíceis", o SNPVAC diz que face "à situação operacional e laboral que a Portugália vive presentemente chegou o momento tornar pública a nossa insatisfação e exigir da parte da administração respeito e sobretudo alterações na gestão da companhia em muitas áreas operacionais que provocam um desgaste tremendo junto dos tripulantes, que questionam legitimamente determinadas decisões de gestão".

O SNPVAC questiona "o recurso à subcontratação externa (Bulgária Air e Eastearn Airways) para fazer face ao acréscimo da operação da Portugália, com custos financeiros acrescidos (...) e com uma clara diminuição" dos padrões qualificação e formação. Acusa a TAP de fazer "dumping social e laboral, com um risco de diminuição de direitos dos trabalhadores".
Acusam também a administração de, entre outras decisões, fazer uma "incorreta aplicação do ATE em diversas matérias como dívidas já vencidas e ausências justificadas (e.g., doença, assistência à família), com duplo prejuízo financeiro para os tripulantes que sofrem cortes salariais sobre remunerações não auferidas".

"Os tripulantes estão cansados de promessas, que seriam possíveis ajustes cirúrgicos dos ATE (...), e desiludidos com a ausência de soluções e respostas às legitimas as nossas reivindicações".

Por fim, o SNPVAC apela a que "os tripulantes da Portugália usufruam de alguns benefícios já atribuídos a outros dentro do mesmo Grupo".